Domingo, 1 de Março de 2009

7 - A Bossa Nova hoje - 10ª parte



10ª parte

O ano de 2008 foi o ano de celebrar os 50 anos da Bossa Nova. Nunca se falou tanto de Bossa Nova na mídia brasileira igual esse ano que tivemos vários shows históricos, vários lançamentos e relançamentos maravilhosos, livros espetaculares, teve gente até falando que era pra parar de falar de Bossa Nova, que já estava enjoando. Mas falar de que? Falar que o funk e o breganejo continuam inundando os nossos ouvidos? Esse ano além da Bossa Nova se falou e ouviu muito o breganejo universitário que invadiu as tvs e as rádios brasileiras, mas isso não importa, pelo menos o que mostrou esse ano de 2008 que a Bossa Nova está cada vez mais viva, seja no Brasil ou no exterior, sabemos que esse “namoro” com a mídia brasileira é passageiro, mas vamos aproveitar a onda que continua se erguendo do mar.

No dia 1° de março de 2008 tivemos um show sensacional pra comemorar os 50 anos da Bossa Nova na praia de Ipanema, com grandes nomes como Roberto Menescal, Carlos Lyra, João Donato, Oscar Castro Neves, Wanda Sá, Marcos Valle, Joyce, Leila Pinheiro, Emílio Santiago, Zimbo Trio, Leny Andrade, Bossacucanova, Maria Rita e a nova bossa-novista Fernanda Takai. Pena que não foi gravado em dvd, quem sabe possa sair no futuro. Esse show acabou provocando ciúmes de nomes como Pery Ribeiro que ficaram de foram em detrimento de artistas que não teriam nada com a Bossa Nova.

Tiveram vários shows em homenagens a Bossa Nova pelo Brasil e pelo mundo, como em homenagem ao João Donato, que contou com Bebel Gilberto, Adriana Calcanhoto, Marcelo D2, Roberta Sá, Fernanda Takai, Marcelinho da Lua e Marcelo Camelo. Teve também um show em Londres no dia 26 de maio com a Joyce, o Marcos Valle, o Dori Caymmi, João Donato, Roberto Menescal, a Wanda Sá, Clara Moreno e o Vinicius Cantuária. Mas nenhum show foi mais esperado e mais festejado do que os shows do João Gilberto no Brasil, ele fez quatro shows históricos, um melhor que o outro. Dois em São Paulo, um no Rio e um em Salvador. Onde ele surpreendeu a todos a cantar a sensacional Chove lá fora, obra prima do Tito Madi (lembrando que eles não se falavam desde aquele famoso episódio que o João acertou o violão na cabeça do Tito numa entrega de troféu tv Record em 1961). O Tito ficou muito emocionado com a gravação e também com o convite do João pra ver seus shows, que o perdoou desse episódio. O João cantou uma música inédita em homenagem ao Japão, cantou 13 de ouro, O nosso olhar, de Sérgio Ricardo, emocionou a todos a cantar Samba do avião, que ele nunca gravou e claro todos os seus clássicos. O João como sempre se atrasou, mas reclamou menos do que de costume, ele estava de muito bom humor, até deixou a platéia cantar algumas músicas com ele, sendo que no Rio teve um coro emocionante de Chega de saudade, com o João acompanhando no violão. No show em Salvador rolou muita emoção quando João lembrou o grande mestre Dorival Caymmi, que tinha morrido alguns dias. O João cantou divinamente João valentão e até Acalanto. O mestre dos mestres Dorival Caymmi que não era Bossa Nova, mas ajudou a mostrar o caminho para se criar a Bossa Nova, com seus samba canções, cantados por Dick Farney, Lúcio Alves e Sylvia Telles. Ou com jeito baiano de ser, que influenciou João Gilberto, Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Roberto Menescal, Joyce, João Donato, Marcos Valle e tantos outros. O mesmo Caymmi que se incorporou ao espírito da Bossa Nova, fazendo discos com Tom Jobim e Vinícius, além de ter sido modernizado pela voz e violão de João Gilberto. Caymmi morreu no dia 16 de agosto.

Tivemos a perda do Caymmi, mas tivemos um ano de muitos livros, cds e dvds sensacionais que saíram nesse ano. Nesse ano foi lançada a biografia do Carlos Lyra: EU E A BOSSA. O livro CAYMMI E A BOSSA NOVA, feito pela Stella Caymmi, neta do Dorival, mostrando o quanto a obra de Caymmi era tão próxima da Bossa Nova. E o espetacular livro EIS AQUI OS BOSSA NOVA, do Zuza Homem de Mello, com relatos inéditos de vários nomes que fizeram parte da Bossa Nova, gente como Tom Jobim, Carlos Lyra, Elis Regina, Nara Leão, Johnny Alf, Roberto Menescal, Vinícius de Moraes, além de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros fazendo com que entendemos mais esse estilo, de tudo que aconteceu naquela década mágica de 1958 a 1968.

Tivemos o dvd do maravilhoso especial ANTONIO BRASILEIRO, exibido pela Globo em 1987, que só poderia ter saído pela Biscoito Fino. Esse especial foi feito em homenagem aos 60 anos do maestro. Narrado por Aloysio de Oliveira começa no Museu de História Natural de Nova York, ao som de Saudade do Brasil, com Tom, a falar do tardio oligoceno do continente para em seguida flanar pelo Central Park embalado por Two Kites ou, sentado num banco do parque, a dedilhar Desafinado no violão. Num retorno ao Museu de História Natural, Tom relembra a tranqüilidade de Ipanema e exibe um jereba. Já no Rio de Janeiro, Tom grava duetos espetaculares com Marina (Lígia), Joyce (Insensatez), com Gilson Peranzetta ao piano, Gal Costa (Dindi), Chico Buarque (Anos Dourados) e Edu Lobo com Chico Buarque (Choro Bandido), sendo a única gravação dessa música com os três juntos. Paula Morelenbaum fecha o bloco cantando a Bachianas Brasileiras n.º 5, de Villa-Lobos, ouvindo-se um Tom desabafar em off: ‘‘Mas que saudades de Villa-Lobos!’’. No último bloco, como já havia acontecido em Nova York, onde Tom saiu do estúdio para ciceronear a câmera pelo Central Park, ele anda pelas aléias do Jardim Botânico e, sentado num de seus bancos, lê duas obras-primas de Carlos Drummond de Andrade, Elegia e Poema da Necessidade. Tem ainda Caetano Veloso interpretando Eu Sei que Vou te Amar, Tom e Maúcha Adnet cantando Bebel; Luíza (com Tom e imagens de Vera Fischer); um depoimento de Sonia Braga e Se Todos Fossem Iguais a Você em ritmo de marcha-rancho. Tom volta a ler o Poema da Necessidade para tocar então Borzeguim, um manifesto em defesa do mato, do índio e dos bichos da selva influenciado por Villa-Lobos, diante de uma tela com desenho animado do Still. Tom Jobim toca acompanhado pela banda formada por Danilo Caymmi (voz e flautas), Jaques Morelenbaum (violoncelo e flautas), Paulo Braga (bateria), Paulo Jobim (violão) e Sebastião Neto (baixo). Nos vocais, Ana Lontra Jobim, Elizabeth Jobim, Maúcha Adnet, Paula Morelenbaum e Simone Caymmi. Nos extras ainda tem o vídeo completo do histórico encontro de Tom Jobim com Gerry Mullingan, em 1962.

Tivemos também o sensacional cd BOSSA ETERNA, do fabuloso trombonista Raul de Souza, também lançado pela Biscoito Fino. Considerado um dos maiores trombonistas do mundo, inventor do souzabone (um trombone elétrico com quatro válvulas), ícone da música instrumental brasileira e tendo tocado em gravações e apresentações com Sarah Vaughan, Herbie Hancok, George Benson, Ron Carter, João Gilberto, Tom Jobim, Egberto Gismonti, Gilberto Gil e Maria Bethânia, Raul de Souza homenageia os 50 anos da Bossa Nova lançando o CD BOSSA ETERNA, gravado na Biscoito Fino em março de 2008. O projeto conta com a participação especial do gênio da música brasileira João Donato, que junto ao amigo Raul de Souza, foi responsável pela criação dos arranjos. Raul assina a direção artística, e abre o CD Bossa Eterna, com uma composição de sua autoria, Bossa eterna, que dá nome ao disco, assim como outras duas, as únicas em que toca o souzabone: Pingo D´Água e A la Donato (homenagem ao amigo). Detalhe importante (e que só o tempo é capaz de proporcionar): apesar da longa amizade, essa é a primeira vez que Raul de Souza e João Donato, ambos com 73 anos, gravam juntos. As outras sete faixas são de bambas da canção brasileira, de Baden Powell e Vinicius de Moraes (Só por Amor) a Tom Jobim (Bonita), passando por Tito Madi (Balanço Zona Sul), João Donato (Malandro, Lugar Comum, esta em parceria com Gilberto Gil, e Fim de Sonho, com João Carlos Pádua). Por fim, Nuvens, parceria de Maurício Einhorn e Durval Ferreira. Participam: João Donato (piano), Robertinho Silva (bateria), Luiz Alves (baixo acústico) e o convidado especial Maurício Einhorn (harmônica).

Saiu também o cd e o dvd MARCOS VALLE CONECTA AO VIVO NO CINEMATEQUE, o primeiro dvd do Marcos Valle, lançado pela EMI. Nesse dvd o Marcos inovou, em vez de um show foram quatro e além de seus clássicos ele toca algumas músicas de outros. O dvd começa com o Marcos tocando três músicas do seu cd instrumental JET-SAMBA: Selva de pedra, que foi tema de uma novela de mesmo nome, Jet samba e Esperando o Messias, depois ele canta Valeu, música em parceria com a Joyce, Online, Garra, Wanda Vidal, Brasil X México, mais uma instrumental, depois tem Água de coco, Próton, elétron, nêutron, Nem paletó e gravata, essas duas com o dj Plínio Profeta, Mentira, Batucada surgiu, essas duas com dj Nado Leal, depois tem o convidado Marcelo Camelo, onde cantam Cara valente, do Camelo, a inevitável Samba de verão e um medley espetacular de Nem paletó e gravata e O vencedor, música do Marcelo, depois tem mais convidados, a banda Fino coletivo, onde cantam Dragão e Boa hora, música do repertório deles, depois ainda a banda +2, formada por Kassin, Domenico e Moreno, onde cantam Homem ao mar, do Kassin, o sucesso Estrelar, Não tem nada não e um medley com Sincerely hot, do Domenico e O cafona, do Marcos Valle. O dvd ainda tem nos extras a antológica Os grilos e Lost in Tókio Subway, mais uma instrumental. Boa parte das músicas desse dvd o Marcos canta acompanhado da Patrícia Alvi. Esperamos que com isso o Brasil finalmente reconheça o quão importante é o Marcos Valle para a nossa música, coisa que os europeus e japoneses descobriram há muito tempo.

Depois da volta triunfal de Sérgio Mendes com o cd TIMELESS, de 2006, produzido por Will Adams, da banda Black Eyed Peas, puxada especialmente pela gravação de Mas que nada, eis que Sergio lança em 2008 o também maravilhoso cd ENCANTO, onde também é produzido por Will. No cd anterior vemos uma aproximação interessante da Bossa Nova com o rap, já nesse disco tem menos rap e mais bossa, mais pop e eletrônica. O cd começa com uma gravação espetacular bem pop de The look of love, cantada pela Fergie, a voz feminina do Black Eyed Peas e o Will, depois tem “o hip hop baiano” Funky Bahia, com Carlinhos Brown, Siedah Garret e Will, uma versão eletrônica de Waters of march, com Ledishi, depois tem Odo-Ya, também com Carlinhos Brown, depois tem Somewhere in the hills, com Natalie Cole, uma versão em espanhol de Lugar comum, do João Donato e Gilberto Gil, com Jovanitti e João Donato, uma gravação bem Bossa Nova de Dreamer, com Lani Hall e Herp Alpert, companheiros de Sérgio na época do Brazil’66, depois tem um samba jazz instrumental maravilhoso chamado Morning of Rio, onde o Sérgio lembra um pouco a época do Beco das Garrafas, uma versão em espanhol de E vamos lá, do João Donato e da Joyce, com Juanes, depois tem Catavento e girassol, do Guinga e do Aldir Blanc, cantada pela Gracinha Leporace com a presença do Guinga ao violão, depois tem a bem dançante Acode, do Sérgio Mendes e a Vanessa da Mata, com a participação da Vanessa cantando, depois tem uma versão bossa rap de Água de beber, com Will, o cd ainda tem como faixa bônus Les eaux de mars, versão em francês de Águas de março, com Zap Mamma e a versão em português de E vamos lá, com João Donato ao piano. Com esse cd o Sérgio mostra que é o mesmo de sempre, bem antenado com a Bossa Nova e a música pop, relembrando bem os discos com o Brazil’66.

Tivemos também o espetacular cd TELECOTECO: UM SAMBINHA CHEIO DE BOSSA, da Paula Morelembaun, talvez o melhor cd do ano. Refrescar a memória, revisitando a história, sob um olhar contemporâneo e moderno. Esta parece ser a proposta deste lançamento. TELECOTECO (UM SAMBINHA CHEIO DE BOSSA) é assim. Abrange com rara eficiência músicas do final da década de 30 até início dos anos 60. Englobando este período anterior à Bossa Nova, o álbum possui de certa forma perfil explicativo, expondo o ‘mix’ de influências (Choro, Tango, musicais norte-americanos) que culminaram no surgimento do estilo eternizado por João Gilberto. Em um repertório minuciosamente elaborado, o álbum é praticamente um ensaio aberto que unem tradição e modernidade, conferindo a composições clássicas uma roupagem contemporânea de muito bom gosto, As músicas desse cd são: a sensacional Manhã de carnaval, com participação do Riuichi Sakamoto, depois tem a maravilhosa Não me diga adeus, de Luis Soberano, Paquito e João Correa das Silva, famosa nas vozes da Elis e da Nara, tem uma espetacular gravação de O samba e o tango, de Amado Régis, sucesso na voz de Carmem Miranda, com participação do dj Bajofondo, depois tem uma gravação sensacional da clássica Our love is here to stay, de George e Ira Gershwin, com toques latinos ao piano de João Donato, depois tem a menos conhecida Um cantinho e você, de José Maria de Abreu e Jair Amorim, com participação de Leo Gandelman, a maravilhosa Ilusão à toa, de Johnny Alf, onde a Paula divide os vocais com Marcos Valle, depois tem Telecoteco, música de Murilo Caldas e Marino Pinto, Sei lá se ta, de Alcyr Pires Vermelho e Walfrido Silva, com Chico Pinheiro no violão, a sensacional O que vier eu traço, Alvaiade e Zé Maria, com participação do dj Marcelinho da Lua, depois tem a maravilhosa Você não sabe amar, de Dorival Caymmi, Carlos Guinle e Hugo Lima, com participação de João Donato, a rara Ternura antiga, da Dolores Duran, participação do Leo Gandelman e no final a rara e sensacional Luar e batucada, de Tom Jobim e Newton Mendonça, também com Leo Gandelman.

Tivemos o surpreendente e maravilhoso ESTUDANDO A BOSSA, do Tom Zé, lançado pela gravadora Biscoito Fino. Nesta época em que as pessoas contemplam e praticam a Bossa Nova, quase como um refúgio espiritual saudosista de algo criado há 50 anos atrás, pleno de melodias, graça, beleza, talento, descontração, otimismo, charme, refinamento, qualidade musical, provocação, autenticidade etc, etc, ele nos revela a mais original leitura daquele momento artístico, a partir de uma ótica bem humorada, verdadeira crônica de um passado inesquecível, com vistas para futuro. Tudo que serviu de matéria prima da Bossa Nova está deliciosa e anarquicamente presente em seus versos, atuações vocais, arranjos, toques de violão, maneirismos, dialetos, sotaques, expressões; do nome dos participantes, às palavras chaves (barquinho, sol e sal, chega de saudade, bada-badi, bada-badá, biom-bom), da citação às musas femininas a componentes essenciais, como a sincopa ou Copacabana, do panorama sonoro da época, com o samba-canção abolerado, trágico, do ninguem-me-ama/ninguém-me-quer, às polemicas despertadas pela implantação do novo gênero musical e assim por diante. As músicas do disco são: Prefácio – Brazil, capital Buenos Aires, Rio arrepio, com Mariana Aydar, Barquinho herói, com Mônica Salmaso, a maravilhosa João nos tribunais, onde João Gilberto vai parar no banco dos réus, a também maravilhosa O céu desabou, com Tita Lima, onde o Tom Zé lembra os críticos da Bossa Nova liderados por Tinhorão, depois tem Sincope Jãobim, com Andréia Dias, O filho do pato, com Márcia Castro, Outra insensatez, põe, com David Byrne, a bela Roquenroll bim bom, com Jussara Silva, Mulher de música, com Fabiana Cozza, a sensacional Brazil, capital Buenos Aires, com Fernanda Takai, Amor do Rio, com Zélia Duncan, Bolero de Platão, com Mariana de la Riva, Solvador, Bahia de Caymmi, com Anellis Assumpção e Daniel Maia, e De: Terra, para: humanidade, com Badi Assad.

Tivemos também a bela coletânea FAR OUT BOSSA NOVA, lançada pela gravadora Far Out Recordings. As músicas desse cd são: Rio Bahia, com Joyce e Dori Caymmi, Keep an Eye on Love, com Zeep, Meu samba torto, com Clara Moreno e Celso Fonseca, Nova Bossa Nova, com Marcos Valle, Pra Zé, com Azimuth, Roberto Menescal e Sabrina Malheiros, San roque, com The Ipanemas, Pro Bonfá, com Célia Vaz, It`s too late, com Sabrina Malheiros, Rejoycing, com Democustico, Filhos, com Arthur Verocai e. Ivan Lins, a belíssima gravação de Berimbau, com a Joyce, do disco SAMBA JAZZ E OUTRAS BOSSAS, ainda inédito no Brasil, Vem moreno vem, com Clara Moreno e Dindi, com Victor Assis Brasil.

Nesse ano de 2008, também tivemos a sensacional coletânea Coleção FOLHA 50 ANOS DE BOSSA NOVA, da Folha de São Paulo, com 20 cds. Todos os discos tiveram um livreto com textos do Ruy Castro. Mas cadê o João Gilberto? Pois é, ele não liberou, falou que não gosta desse formato coletânea. Os cds foram:

1 – Tom Jobim – Chega de saudade, Sabiá, Samba do avião, Garota de Ipanema, Retrato em branco e preto, Eu não existo sem você, Águas de março, Por causa de você, Inútil paisagem, Samba de uma nota só, Wave, Se todos fossem iguais a você e Lígia.

2 – Dick Farney – Copacabana, Tereza da praia, Inútil paisagem, Uma loura, Sábado em Copacabana, Aeromoça, Não tem solução, Chuva, Fotografia, Marina, Ponto final, Nick bar, O que é amar e Apelo.

3 – Vinícius de Moraes – Pela luz dos olhos teus, Berimbau, Só por amor, Deixa, Seja feliz, Mulher carioca, Samba em prelúdio, Labareda, O astronauta, Deve ser amor, Samba da benção e Além do amor.

4 – Baden Powell - Valsa de Eurídice, Apelo, Chuva, Deixa, Tempo feliz, Lamentos, .. Das rosas, Garota de Ipanema, Canto de Ossanha e Coisa n.º2.

5 – Carlos Lyra – Sambalanço, Lobo bobo / Saudade fez um samba / Se é tarde me perdoa, Gente do morro, O barco e a vela, Minha namorada, Canção que morre no ar, Mas também quem mandou, Um abraço no João, Só choro quando estou feliz, Você e eu / Coisa mais linda, Pode ir, Se quiseres chorar, Maria Moita e Os olhos da madrugada.

6 – Nara Leão - Eu gosto mais do Rio, Insensatez, Corcovado , Sabe você, O barquinho, Wave, Águas de Março, Com açúcar, com afeto, Chega de saudade, O negócio é amar, Tristeza de nós dois e Descansa coração.

7 – João Donato - A rã, Chorou, chorou, Ahiê, Amazonas, Até quem sabe, Cadê Jodel, Bananeira, Lugar comum, Café com pão, Gaiolas abertas, O fundo, Daquele amor nem me fale e Mambinho.

8 – Johnny Alf - Ilusão à toa, Rapaz de bem, Escuta, O que é amar, Fim de semana em Eldorado, Disa, Céu e mar, Seu Chopin, desculpe, Diagonal, Fuga, Moça flor, Tudo distante de mim, Que vou dizer eu?, Tema sem palavras e Vem.

9 – Lúcio Alves - Idéias erradas, A noite do meu bem, Estrada do sol, Lá vem a baiana, Copacabana, Alguém como tu, Dizem por aí, Ninguém me ama, De conversa em conversa, Valsa de uma cidade, Garota de Ipanema, Razão de viver, Mudando de conversa, Beija-me e Pra dizer adeus

10 – Miúcha - Turma do funil, Triste alegria, Aula de matemática, Sublime tortura, Samba do carioca, Falando de amor, Vai levando, Na batucada da vida, Sei lá, Pela luz dos olhos teus, Samba do avião e Dinheiro em penca.

11 – Roberto Menescal - Meditação, Céu e mar, Rio, Corcovado, Menina feia, O pato, A morte de um deus de sal, Telefone, Adriana, Mar, amar, Copacabana de sempre, Amanhecendo, A banca do distinto e Bye bye Brasil.

12 – Marcos Valle – Gente, Ainda mais lindo, Preciso aprender a ser só, Seu encanto, Passa por mim, Samba de verão, A resposta, Deus brasileiro, Terra de ninguém, Viola enluarada, Ao amigo Tom, Não tem nada, não, Vem, Próton, elétron, nêutron e Os grilos.

13 – Leny Andrade - Estamos aí, A resposta, Clichê, Olhando o mar, Samba de rei, Tema feliz, Razão de viver, Coisa nuvem, Esqueça não, De manhã, Batida diferente, O amor e a rosa, O amor que acabou, Sambop e Nós e o mar.

14 – Pery Ribeiro - Garota de Ipanema, Primavera, Ah! Se eu pudesse, O que eu gosto de você, Berimbau, Moça da praia, Você, Amanhã, Canto de Ossanha, Samba do dom natural, Samba da pergunta, Tempo feliz, Deus brasileiro / Vivo sonhando, Olé, olá e Tristeza.

15 – Sylvia Telles – Dindi, Discussão, Fotografia, Janelas abertas, Demais, A felicidade, Canta, canta mais, Só em teus braços, Estrada do sol, Aula de matemática, Eu preciso de você, Canção da volta, Chove lá fora, Duas contas e Foi a noite.

16 – Maysa - O barquinho, Você e eu, Cala meu amor, Eu e meu coração, Nós e o mar, Ah! Se eu pudesse, Samba triste, Cheiro de saudade, Fim de noite, A mesma rosa amarela, Caminhos cruzados, Por causa de você, Água de beber, Meditação e Outra vez.

17 – Wilson Simonal - Olhou pra mim, Amanhecendo, Balanço zona sul, Nana, Lobo bobo, Ela vai, ela vem, Rapaz de bem, Samba do carioca, Garota moderna, Só tinha de ser com você, Juca bobão, Mangangá, O apito no samba, ....Das rosas, e Só danço samba.

18 – Os Cariocas – Rio, Samba de uma nota só, Devagar com a louça, O amor em paz, Telefone, Amor de nada, Ela é carioca, Domingo azul, Vê, Samba da pergunta, Desafinado, Pra que chorar, Amanhecendo, Tema para quatro, Samba do avião e Tim tim por tim tim.

19 – Joyce - Aos pés da cruz, Sabe você, O astronauta, Maria Moita, Tarde em Itapoã, Estrada branca, Eu sei que vou te amar, Mundo melhor, Wave, Ela é carioca, A felicidade e S'wonderful.

20 – Milton Banana Trio – Resolução, Estamos aí, Vê, Você, Cidade vazia, São Salvador, Amanhã, Garota de Ipanema, Ela é carioca, Noa... Noa..., Nana, Sambou, sambou, Roda viva, Amazonas, Vesti azul, Samba da benção e Carolina.

Além disso, saiu o sensacional cd e dvd JOYCE AO VIVO, que saiu pela gravadora EMI. Depois do dvd BANDA MALUCA AO VIVO, que tinha saído pela Biscoito Fino onde a Joyce cantava sem público, finalmente teve o dvd que merece, celebrando seus 40 anos de carreira. DVD produzido pelo grande Roberto Oliveira. As músicas desse dvd são: Delicadeza, E era Copacabana, Me disseram, a música que provocou polêmica num festival em 1967, Não muda não, Samba de mulher, Revendo amigos, com participação da Leila Pinheiro, a sensacional Havana-me, Monsier binot, Mistérios, a clássica Essa mulher, música que ficou famosa na voz da Elis Regina, com participação do Dori Caymmi, Da cor brasileira, O chinês e a bicicleta, a clássica Clareana, as inéditas E passa o carrossel e No fundo do mar, as duas com a presença de João Donato, A banda maluca, com citação de Uva de caminhão, do Assis Valente, Samba da zona e Feminina que é o cartão de visitas da Joyce no mundo. Nos extras ainda têm: Cinema Brasil, com Francis Hime, Mulheres do Brasil, com Clara Moreno e Ana Martins, Pra você gostar de mim, com Zé Renato, Madame quer sambar, com Roberto Menescal e outra gravação de Mistérios, agora com Mônica Salmaso.

Nesses 50 anos de Bossa Nova não poderia faltar o cd BOSSACUCANOVA AO VIVO, lançado pela Crammed, celebrando os dez anos do grupo que revolucionou a Bossa Nova. Incrementando batidas eletrônicas ao som suave da bossa, sem perder a brasilidade. Um cd sensacional com vários convidados que marcaram esses 10 anos de Bossacucanova. As músicas do cd são: Eu quero um samba, já com a Cris Dellano oficialmente como a voz feminina do grupo, Maria moita, com um Carlos Lyra sensacional nos vocais, Samba da minha terra, Essa moça ta diferente, com Wilson Simoninha, Samba de verão, com Marcos Valle, Águas de março, Bom dia Rio, com o Jacques Morelembaum, Garota de Ipanema, com Ed Motta e Roberto Menescal, uma versão espetacular cantada de Telefone, com Roberto Menescal e Leo Gandelman, Balanço zona sul, com o Wilson Simoninha e Minha menina, do Jorge Ben Jor, numa gravação que lembra Os Mutantes, o cd ainda tem como faixas bônus gravadas em estúdio: Influência do jazz, com Carlos Lyra, Pedro Luis e Leo Gandelman, O barquinho, com Roberto Menescal e Fernanda Takai e no final Nasci pra bailar, com João Donato e Leo Gandelman, interessante que é a primeira vez que o Donato participa de um cd do Bossacucanova, lembrando que ele já participou dos dois cds solo do Marcelinho da Lua. Vai ser lançado também um dvd.

Tivemos também o cd e dvd CELSO FONSECA AO VIVO, lançado pela EMI. Numa tentativa de popularizar a obra sensacional do Celso, esse dvd teve algumas participações naturais e outras nem tanto. As músicas desse dvd são: a espetacular Slow motion Bossa Nova, a música que fez Celso Fonseca ficar famoso no mundo inteiro, até no Brasil graças a Gisele Bundchen, a maravilhosa Feriado, o samba rap de Viajando na viagem, uma gravação meio estranha de Is the love, do Bob Marley, com Gilberto Gil, música que foge do estilo do Celso, a maravilhosa Palco, do Gil, com participação do próprio, aí o Celso estava mais a vontade, a sensacional Satélite bar, a surpreendente gravação de Ela só pensa em beijar, do Mc Leozinho, a transformando numa Bossa Funk, Queda, A voz do coração, com participação sensacional da Roberta Sá, a inédita Nunca pensei, a descartável gravação de Um dia de domingo, sucesso na voz de Tim Maia e Gal Costa, num dueto esquisito com a Ana Carolina, a bela gravação de Você não entende nada, de Caetano Veloso, a clássica Sorte, música do Celso e do Ronaldo Bastos, que ficou famosa no Brasil com a gravação da Gal Costa, Polaróides, a belíssima Samba é tudo, Meu samba torto, Beleza, Maria fumaça, clássico da Banda Black Rio e no final uma gravação de Ive Brussel, do Jorge Ben Jor, com participação do Gilberto Gil, da Roberta Sá e do filho João Pedro Fonseca.

Nesse ano de 2008 tivemos até o cd e dvd CAETANO VELOSO E ROBERTO CARLOS E A MÚSICA DE TOM JOBIM. Foi um encontro surpreendente envolvendo dois grandes nomes da nossa música celebrando o nosso maior nome Tom Jobim. Mas porque Caetano Veloso e Roberto Carlos, tinha vários outros nomes mais ligados a Bossa Nova para essa homenagem? Pelo que se viu acabou privilegiando os dois por causa da grande aceitação da mídia, especialmente ao Roberto. Apesar de que os dois têm sim ligações com a Bossa: o Caetano ficou maravilhado ao ouvir Chega de saudade com João Gilberto e acabou virando um herdeiro do João, já o Roberto Carlos pra quem não sabe começou cantando Bossa Nova imitando o João Gilberto, depois os dois seguiram pra outros caminhos. O dvd teve momentos maravilhosos e outros nem tanto, provavelmente pelo nervosismo do Caetano. Mas no modo geral ficou bom, o Roberto surpreendeu cantando Tom Jobim, especialmente nas canções mais românticas. As músicas desse dvd são: a inevitável Garota de Ipanema, Wave, Águas de março, com Daniel Jobim, Por toda minha vida, Ela é carioca, Inútil paisagem, Meditação, a rara e bela Caminho de pedra, onde o Caetano deu show cantando sozinho com citação de Stone Flower, O que tinha de ser, Surfboard, também com Daniel Jobim, Insensatez, onde o Roberto canta em espanhol, Por causa de você, Lígia, relembrando o famoso dueto do Tom e do Roberto, Corcovado, Samba do avião, Eu sei que vou te amar, uma gravação meio estranha de Tereza da praia, A felicidade, Se todos fossem iguais a você e no final a também inevitável Chega de saudade.

Mas a melhor noticia de 2008 foi o aparecimento do disco JOÃO GILBERTO NA CASA DO CHICO PEREIRA, com gravações caseiras inéditas que o João Gilberto fez na casa do fotografo Chico Pereira no ano de 1958. Isso era um dos mais bem guardados segredos da Bossa Nova, que poucas pessoas tinham acesso. No livro CHEGA DE SAUDADE o Ruy Castro fala: “Quando João Gilberto cantou pela primeira vez em seu apartamento, na rua Fernando Mendes, levado por Menescal, Chico experimentou a mesma sensação quer tiver ao conhecer o fundo do mar. Com a vantagem de que a voz e o violão de João Gilberto podiam ser capturados. Não perdeu tempo: assestou um microfone, alimentou seu gravador Gruding com um rolo virgem e deixou-o rodar. Foi a primeira das muitas fitas que gravaria com João Gilberto em sua casa.” Ninguém sabe ao certo como todos tiveram acesso via internet, esse disco apareceu num leilão no Japão, nos Eua e na Alemanha. Provavelmente nunca esse disco vai virar oficial, mas é uma pérola ouvir o João pronto pra estourar com a Bossa Nova, sendo que algumas músicas o João nunca gravou. Além de alguns bate papos. As músicas desse disco são: Um abraço no Bonfá, um Solo de violão desconhecido, Chega de saudade, Bim bom, Ho-ba-lá-lá, É luxo só, Desafinado, Saudade fez um samba, Valsa com vocalise (Every day), do João Donato, Este seu olhar, A felicidade, Preconceito, Caminhos cruzados, Mágoa, do Tom Jobim e do Marino Pinto, Lobo bobo, Brigas nunca mais, O bem do amor, do Carlos Lyra, Louco, Trevo de quatro folhas, O pato, Aos pés da cruz, Rosa morena, João valentão, do Dorival Caymmi, Chão de estrelas, do Sílvio Caldas e Orestes Barbosa, Bate-papo, Um medley com Nos Braços de Isabel, do Sílvio Caldas e do José Júdice e Liberta meu coração, do Geraldo Pereira e José Batista, Bate papo, Lá vem a baiana, Bate papo, Lá vem a baiana (reprise), Bate papo, Doralice, Doralice (reprise), Você não sabe amar, Beija-me, do Roberto Martins e do Mário Rossi e Bate papo.

Tivemos também o maravilhoso encontro de Marcos Valle, Carlos Lyra, Roberto Menescal e João Donato, que fizeram o cd OS BOSSA NOVA pela gravadora Biscoito Fino. A idéia da reunião inédita entre Carlos Lyra, João Donato, Roberto Menescal e Marcos Valle, que nunca haviam feito um disco inteiro juntos, foi do produtor José Milton. Ele pensou num verdadeiro encontro entre amigos que, sem dúvida alguma, descambaria em boa música. As conversas entre os cinco tiveram início em março, mas a gravação teve que esperar até agosto, já que os quatro compositores estavam com as agendas lotadas, comemorando a bossa em shows pelo mundo afora. O CD veio com clássicos da época, canções inéditas e quatro temas instrumentais. Passaram longe dos maiores clássicos. Em vez de Minha Namorada, O Barquinho, A Rã ou Samba de Verão, interpretam Samba do Carioca (Lyra e Vinicius de Moraes), Vagamente (Menescal e Ronaldo Bôscoli), De um Jeito Diferente (Donato e Lysias Enio) e Gente (Marcos e Paulo Sérgio Valle). Mas o CD tem ainda, em algumas faixas, Dirceu Leite (sopros), Jessé Sadoc (trompete), Carlos Bala (bateria) e Jaques Morelenbaum (cello). Este último foi exigência de Donato, na música De um Jeito Diferente. A primeira faixa do disco, Samba do Carioca, Lyra divide a interpretação com Marcos Valle. Em seguida, Menescal e Donato recriam Teresa da Praia, de Tom Jobim e Billy Blanco, num dueto sensacional. Lyra e Valle prosseguem com Até o Fim, composta em 2007 e lançada por Emílio Santiago. Esta é a primeira gravação dos autores. João Donato é o arranjador, pianista e intérprete de Um Jeito Diferente, parceria com o irmão Lysias Enio. Sextante, música inédita de Lyra, é interpretado pelo autor e João Donato. Gente, dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle une Lyra e Marcos e logo a seguir, Roberto Menescal cantar Vagamente, parceria com Ronaldo Bôscoli que ganhou arranjo e piano de Marcos Valle no disco. Segue-se uma instrumental de Menescal e Donato, A Cara do Rio. Os dois ganham o reforço de Jorge Hélder e Paulo Braga. A faixa seguinte é bem especial. Reúne três belíssimas canções unidas pela mesma harmonia: Bewitched (Richard Rogers/Lorenz Hart), Esse seu Olhar e em Teus Braços, ambas de Tom Jobim, sendo que a última entra como música incidental.
A mais antiga música do CD é Ciúme, composta por Carlos Lyra em 1954, interpretada por Roberto Menescal e João Donato. Mais uma instrumental, Entardecendo, de Valle e Donato, seguida de outra parceria de Menescal e Bôscoli, Balansamba, nas vozes de Menescal e Lyra. O revezamento continua com Marcos Valle cantando Até Quem Sabe, de Donato e Lysias. O trabalho termina com os quatro cantando juntos Bossa entre Amigos, de Menescal e Valle. Sem dúvida alguma, OS BOSSA NOVA é a saideira perfeita para o ano que comemora os 50 anos do gênero.

Ainda no final do ano saiu o maravilhoso disco TOQUINHO E MPB-4: 40 ANOS DE MÚSICA, também pela Biscoito Fino. Toquinho e MPB4 surgiram no cenário musical por ocasião dos memoráveis festivais da década de 1960 e consolidaram suas carreiras ao longo de mais de 40 anos. É um verdadeiro louvor a música brasileira. Distinguem-se as homenagens a Dorival Caymmi, Tom Jobim, Paulinho Nogueira, Baden Powell, Vinicius de Moraes, principal parceiro de Toquinho durante 10 anos, e a Chico Buarque. Além disso, destaca-se a versatilidade da música brasileira, com Toquinho e o MPB4 intercalando-se nas interpretações, desde Noel Rosa até Cazuza e Renato Ladeira, incluindo canções de João Bosco e Aldir Blanc, Lobão, Herbert Vianna e Paula Toller, Edu Lobo, Gonzaguinha, Fernando Lobo e Antonio Maria. Ressalta-se ainda a parte do CD dedicada às crianças, com músicas que dignificam o trabalho de Toquinho junto ao público infantil e que ganham uma feição ainda mais lúdica e expressiva com a participação do MPB4. As músicas desse cd são: Tarde em Itapuã, um pot-pourri em homenagem a Caymmi: com Das rosas, Marina, Samba da minha terra e Saudade da Bahia, depois tem De frente pro crime, do João Bosco e Aldir Blanc, depois tem um pot-pourri em homenagem a Tom Jobim: Modinha, Se todos fossem iguais a você, Carta ao Tom e Carta do Tom, depois tem Faz parte do meu show, de Cazuza e Renato Ladeira, depois tem um pot-pourri com Me chama, do Lobão e Nada por mim, do Herbert Vianna e Paula Toller, depois tem Canto triste, do Edu Lobo e do Vinícius, um pot-pourri de músicas infantis com A casa, O vento, A bicicleta, O pato, uma gravação antológica de Ninguém me ama, do Antonio Maria, com o Miltinho fazendo a voz do pato e O caderno, ainda tem Iolanda, de Pablo Milanes e Chico Buarque, Quem te viu, quem te vê, do Chico Buarque, um pot-pourri com Jesus alegria dos homens, de Bach e Bachianinha nº. 1, de Paulinho Nogueira, também tem Gago apaixonado, do Noel Rosa, um pot-pourri com Cavalo marinho e Berimbau, as duas do Baden e do Vinícius, O que é, o que é , do Gonzaginha, Samba pra Vinícius, do Toquinho e do Chico Buarque, um pot-pourri com músicas do Toquinho e Vinícius com: Como dizia o poeta, Testamento, Para viver um grande amor, Morena flor, Meu pai Oxalá, Maria vai com as outras, O bem amado e Regra três, no final ainda tem Roda viva, do Chico Buarque.

Com isso tudo, apesar de tantos lixos que existem na música brasileira atual, a Bossa Nova está ganhando cada faz mais espaço aqui no Brasil, seja nas novelas, nos comerciais, nos programas de tv, nos jornais e até no rádio. E no mundo a Bossa Nova está cada vez mais forte especialmente na Europa e no Japão, onde vários estrangeiros consomem discos dos melhores artistas brasileiros de todos os tempos.

Isso é mais uma prova de que aquele grupo de jovens músicos na zona sul do Rio de Janeiro no fim da década de 50 que criou a Bossa Nova, fizeram um ritmo brasileiro, que o mundo inteiro adora, e eterno.

Sábado, 20 de Setembro de 2008

7 - A Bossa Nova hoje - 9ª parte


9ª parte

Em 2007, é o ano de celebrar os 80 anos de nascimento do maestro soberano: Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o inesquecível Tom Jobim, que nasceu no dia 25 de janeiro de 1927.

No mês de janeiro, há um especial na TV Globo chamado Eu sei que vou te amar, tëm algumas coisas muito importantes das músicas do Tom, mas foi muito pouco, teve apenas 1 hora de duração, não falou nada da vida do Tom e ainda, com a maioria das músicas não deixou completar. Mas apesar de ser fácil meter a lenha na TV Globo, pelo menos foi o único especial que foi passado na TV aberta.

Mas, homenagem merecida que o Tom recebeu foi a caixa com três DVD chamada MAESTRO SOBERANO, que saiu no ínicio do mês de fevereiro pela gravadora Biscoito Fino. São três DVDs, dirigidos por Roberto Oliveira, que destacam aspectos fundamentais formadores da obra e do gênio de Tom.

O primeiro deles é CHEGA DE SAUDADE, com narração de Nelson Motta, mostra as primeiras músicas do Tom, enfoca a criação da Bossa-Nova, a disseminação planetária do movimento, e sua insuspeita permanência como um dos mais representativos estilos da música mundial. As faixas desse primeiro DVD são: Eu não existo sem você, Anos dourados, Lamento no morro, A felicidade, Se todos fossem iguais a você, Eu sei que vou te amar, Canta, canta mais, Chega de saudade, Carta ao Tom 74, Desafinado, Só tinha de ser com você, Água de beber, Você e eu, Só danço samba, Chega de Saudade e Imagina.

O segundo deles é ÁGUAS DE MARÇO enfoca a relação de Tom com a ecologia, narrado por Chico Buarque, que Tom já falou “que toda minha obra foi inspirada na Mata Atlântica”. Mostra a maravilhosa Floresta da Tijuca, o expetacular Jardim Botânico e as músicas ecológicas que o Tom fez, muitas antes até de existir essa palavra ecologia. Tom Jobim sempre foi muito preoucupado com essa questão, ele disse: “sem mato, ar e bicho, não há música”. As faixas desse segundo DVD são: Lenda, Águas de março, Chovendo na roseira, Estrada do sol, Correnteza, Gabriela, Borzeguim, Saudade do Brasil, Sabiá, Vento bravo, Luiza, O boto, O jardim abandonado, Águas de março, Matita perê, Passarim e Ai quem me dera.

O terceiro deles é ELA É CARIOCA, prioriza a ambientação da obra de Jobim no Rio de Janeiro e a paixão do maestro pela cidade, com narração de Edu Lobo. Tom circulava com desenvoltura pela cidade e gostava de fazer comrentários divertidos como este: “O Rio de Janeiro é uma cidade bastante dissipante, você vai a um lugar e acaba em outro”. As faixas desse terceiro DVD são: Ela é carioca, Surfboard, Corcovado, Wave, Retrato em branco e preto, Ela desatinou, Você vai ver, Falando de amor, Eu te amo, Insensatez, Lígia, Luiza, Garota de Ipanema, Samba de uma nota só, Ela é carioca, Samba do avião e Estrada branca.

Os documentários apresentam imagens clássicas de Tom – como o dueto com Elis Regina em “Águas de março” – e também momentos raros da filmografia sobre o maestro – como o espirituoso flagrante do encontro com Edu Lobo no estúdio, durante a gravação do álbum feito pela dupla em 1981. Dois shows antológicos de Jobim e a Banda Nova – um gravado em São Paulo, em 1990, outro no Rio, em 1985 – permeiam registros históricos com o melhor do criador. A herança de Jobim também é flagrada nas imagens do show de Revéillon de 1996, na Praia de Copacabana, em que Caetano Veloso, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Milton Nascimento, Gal Costa e Gilberto Gil prestam tributo ao mestre. E também na apresentação do Quarteto Jobim-Morelenbaum, formado por Paulo e Daniel Jobim, Paula e Jaques Morelenbaum. Para os seguidores de Jobim, que têm na fé em Antônio o caminho da salvação pela música, o dia 25 de janeiro equivale a um segundo natal, 80 anos depois do nascimento do mestre e 60 desde o lançamento da pedra fundamental de sua obra.

Prepare-se pra “viver o momento dos momentos”, em Abril chegou o mais novo disco da Bebel Gilberto, que se chama MOMENTO, e é com essa frase na faixa título que Bebel convida a todos a ouvir seu terceiro disco. Esse disco já deu o que falar antes de chegar às lojas do mundo inteiro, pois ninguém sabe como, vazou primeiro pela internet e muitas pessoas no mundo copiaram o disco em MP3. O disco foi co-produzido pela própria Bebel e pelo Guy Sigsworth e é uma maravilha, aliás, como os dois discos anteriores, que levaram a Bebel a ser uma das maiores estrelas da música mundial na atualidade. O cd começa com a bela Momento, que dá nome ao disco, que foi feita pela Bebel, pelo Masa Shimizu e pelo Mauro Refosco, depois tem a maravilhosa Bring back to love, que explodiu nas pistas européias antes ainda do disco chegar, que é uma declaração de amor ao pé do ouvido sussurada pela Bebel, essa música foi feita pela Bebel Giberto, Didi Gutman e a Sabina Sciubba, depois tem a também bela Close to you, também da Bebel, só que em parceria com Guy Sigsworth, depois tem a que talvez seja a melhor música do disco a expetacular Os novos yorkinos, uma faixa bilíngüe com letra em português e em inglês, onde o título da música é uma variação aos Novos Baianos, ela divide o vocal com a Sabina Sciubba, lembrando que a Bebel também é uma nova yorkina, essa música foi feita pela Bebel Gilberto, Didi Gutman e a Sabina Sciubba, depois tem a bela Azul, também da Bebel, com o Guy Sigsworth, depois tem a expetacular Caçada, uma rara música do tio dela Chico Buarque, com direito a banda de pífanos pra reforçar o maracatu dessa música maravilhosa, sem dúvida é a mais surpreendente música do disco, a música ainda tem participação do João Helder e do grande Celso Fonseca, depois tem o super clássico Night and day, de Cole Porter, onde Bebel dá uma aula de como cantar cool jazz, depois tem a expetacular Tranqüilo, do Kassin, onde a Bebel divide a música com a maravilhosa banda brasileira Orquestra Imperial, música gravada no Rio de Janeiro num clima de total desconstração, essa participação da Orquestra Imperial só vem a brilhantar o cd ainda mais, depois tem a maravilhosa Um segundo, da Bebel, com Masa Shimizu, depois tem a bela Cadê você, uma balada com jeito de Nova Bossa Nova, que a Bebel sabe fazer como ninguém, mais uma música da Bebel Gilberto em parceria com Guy Sigsworth, e pra finalizar mais esse disco extraordinário da Bebel tem a bela Words, uma faixa acústica com jeito também de Bebel Gilberto, que fez em parceria com Masa Shimizu e com Erich Batista.

Ainda em 2007 chega depois três anos o novo disco da Clara Moreno, o maravilhoso MEU SAMBA TORTO, ao contrário do expetacular MORENA BOSSA NOVA, nesse cd a Clara Moreno deixa de lado a música eletrônica e volta para a Bossa Nova e alguns sambas antigos. Ela fala que no primeiro disco se inspirou mais na Bebel Gilberto e nesse segundo ela se inspira mais no João Gilberto, que ela gravou algumas músicas que ficaram famosas na voz do mestre. Além do João, fica nítido a semelhança ainda mais da mãe Joyce que consegue ser moderna sem precisar da música eletrônica e do grande Celso Fonseca, que, aliás, produziu o disco ao lado do Rodolfo Stroeter. Esse cd foi feito pela gravadora Farout Recordings, que é a mesma da mãe da Clara, Joyce. As músicas desse disco maravilhoso são: a bela Meu samba torto, que dá nome ao disco, uma nova Bossa Nova inédita feita pelo Celso Fonseca, que participa da faixa tocando violão, depois tem a expetacular Litorânea, também do Celso Fonseca, agora em parceria com Ronaldo Bastos, o Celso aparece nessa música dividindo os vocais com a Clara, depois disso tem a também inédita e expetacular Sabe quem? Feita em parceira da mãe Joyce com Zé Renato, ex integrante do Boca Livre, que tem grande importância na carreira da Joyce, a mãe que participa da faixa tocando violão e o padastro Tutty Moreno tocando bateria, depois tem a bela Sei lá, feita pelo pai da Clara: Nelson Ângelo, a quem ela dedica o disco, depois tem a francesa Mon manege a moi, de Norbet Glanzberg e Jean Constantin, com participação também da Joyce no violão e do Tutty Moreno na bateria, depois tem a clássica Moça flor, uma Bossa Nova maravilhosa do Durval Ferreira e do Lula Freire, que ficou famosa na voz do Tamba Trio, nesse disco cantada pela Clara e pelo Celso Fonseca, depois tem a também clássica Se acaso você chegasse, do Lupícinio Rodrigues e do Felisberto Martins, que ficou famosa na voz da Elis Regina, do Jair Rodrigues e da Elza Soares, no Fino da Bossa, depois tem a expetacular Bahia com H, do Denis Brean, grande clássico na voz de João Gilberto, talvez a melhor faixa do disco, com direito a citação de Chica chica boom, famosa na voz de Carmem Miranda, depois tem o samba Rosa de ouro, do Elton Medeiros, do Hermínio Bello de Carvalho e do Paulinho da Viola, cantada pela Clara Moreno e pelo Celso Fonseca, depois tem a maravilhosa Morena boca de ouro, do Ary Barroso, também famosa na voz de João Gilberto, depois tem o grande clássico Copacabana, do Braguinha, que morreu o ano passado, e do Alberto Ribeiro, depois tem a rara Vem morena vem, do Jorge Ben, tirada do seu primeiro disco SAMBA ESQUEMA NOVO, depois tem a bela Ela vai pro mar, do Celso Fonseca e do Ronaldo Bastos, também com Celso, dividindo os vocais com a Clara e no final a clássica Tenderly, do Walter Gross e Jack Lawrence, música em inglês, um belo jazz pra finalizar o disco.

A cantora e compositora carioca Joyce e o compositor e guitarrista mineiro Toninho Horta estavam se apresentando no Blue Note, em Tóquio, em maio de 1995, quando se deram conta que num certo momento do show, que eles chamavam de “baile” _ quando os músicos saíam do palco e ficavam só os dois _ empreendiam uma verdadeira “viagem” musical a partir de um simples acorde de violão. No repertório sobressaiam sempre as composições de Tom Jobim, falecido cinco meses antes.
Voaram para Nova York com a idéia de um disco dedicado ao maestro. Como só tinham um dia na cidade, gravaram 10 músicas em uma noite, com vocal de Joyce e violão de Toninho. Já no Rio, a pedido do produtor japonês Kazuo Ioshida, gravaram outras duas canções, Estrada do Sol e Frevo de Orfeu, estas incluindo também o violão-base de Joyce. Em Frevo de Orfeu e Esse Seu Olhar, Toninho também participa vocalmente. Com o título de SEM VOCÊ (uma das músicas do disco, de Tom e Vinicius), o CD _ que saíra anteriormente apenas no Japão pela Omagatoki, em 1995 _ está sendo agora em maio de 2007, lançado no Brasil pela Biscoito Fino. A escolha do repertório aconteceu na intuição. “Lembra desta?”, “E aquela? Ah, que bom que você sabe!”. Acostumados a tocar de improviso em shows, como aconteceu em Viena e Copenhagem, por exemplo, amigos desde o início de suas carreiras – participaram do mesmo conjunto musical, A Tribo, nos anos 70, com Nelson Ângelo e Novelli - começaram a gravar SEM VOCÊ na base do improviso, sem ensaio, “um disco de jam session”, como o define Joyce. Das parcerias de Tom com Vinicius de Moraes escolheram quatro: Ela é Carioca, com citação de Garota de Ipanema, Frevo de Orfeu, Só Danço Samba e Sem Você, que deu nome ao CD. Outras duas músicas são parcerias de Tom com Aloysio de Oliveira: Inútil Paisagem e Dindi. Correnteza tem a assinatura de Tom e Luiz Bonfá e Dolores Duran é a letrista de Estrada do Sol. O repertório foi completado com Lígia, Vivo Sonhando, Outra Vez, Este seu Olhar e em teus Braços, com música e letra de Tom. “Rola uma fraternidade entre Toninho e eu”, admite Joyce. “Temos o mesmo background como, por exemplo, o mesmo disco da Julie London com Barney Kessel, onde ela canta Cry me a River. Mais do que Julie London, eu e Toninho somos tarados pelo Barney Kessel. O Toninho mamou nele. E eu, na June Christy. E este disco saiu com a carga emocional pela perda do Tom”. SEM VOCÊ é o segundo disco de Joyce dedicado a Tom Jobim. Em 1987 lançou TOM JOBIM: ANOS 60, com Gilson Peranzzetta, aos 60 anos de vida do compositor, que escreveu ele mesmo o texto da contracapa. SEM VOCÊ acabou ganhando essa edição brasileira em mais uma belíssima homenagem aos 80 do nascimento de Tom Jobim.

Também em 2007, sai o belíssimo cd JOBIM JAZZ, feito pelo Mário Adnet. Jobim Jazz combina arranjos bem trabalhados de Mario Adnet com clássicos do repertório de Tom Jobim e de quebra ainda traz uma lista de músicos de dar água na boca a qualquer produtor e fã da boa música brasileira. Marcos Nimrichter (piano, acordeão), Eduardo Neves (sax tenor), Ricardo Silveira (guitarra), Nailor Proveta (clarinete), Jessé Sadoc (flugelhorn), Helio Delmiro (violão), Marcello Gonçalves (violão de 7 cordas), Andréa Ernest Dias (flauta), Armando Marçal (percussão), Joyce (voz), Vittor Santos (trombone), Romero Lubambo (violão) são apenas alguns dos nomes que você vai reconhecer neste trabalho.
Com arranjos e direção de Mario Adnet, Jobim Jazz apresenta clássicos bem conhecidos e ainda traz também composições mais raras tais como o samba Domingo sincopado de 1956, parceria com Luiz Bonfá. Esta primeira faixa é um samba com muito suíngue e um arranjo dando destaque ao naipe de metais. Até mesmo só com essa primeira faixa este álbum já se justificaria mesmo se o resto do CD não fosse de alta qualidade. Entretanto, conhecendo a qualidade do trabalho que Mario faz, você sabe que pode esperar muito mais. Na faixa seguinte, a mistura de baião e maracatu em Quebra pedra (Stone flower) é enaltecida com a percussão de Armando Marçal e o solo de acordeão de Marcos Nimrichter. Depois tem a rara e bela Sue Ann, tirada da trilha do filme The Adventurers, depois tem o samba jazz de Tema jazz, única música do Tom com citação direta do termo jazz, depois tem Rancho nas nuvens, a sensacional Surfboard, Meninos, eu vi, parceria com Chico Buarque, a clássica Só danço samba, a também rara e bela Paulo vôo livre, onde o Mário divide os vocais com a Joyce, Valsa do Porto das Caxias, Frevo de Orfeu, o choro Bate-boca e a raríssima Polo pny, também tirada do filme The Adventurers. Sem dúvida uma belíssima homenagem ao Tom.

No mesmo ano, sai nos EUA o belíssimo álbum SURRENDER, da cantora de jazz Jane Monheit. Esse cd é uma bela homenagem a música brasileira, especialmente a Bossa Nova e tem participação do Ivan Lins, do Toots Thielemans e do Sergio Mendes. As faixas desse cd são: If you went away, versão em inglês da maravilhosa Preciso aprender a ser só, do Marcos e Paulo Sergio Valle, Surrender, a bela Rio de maio, onde ela divide os vocais em português com Ivan Lins, autor da música, a maravilhosa Like a lover, versão em inglês da belíssima O cantador, de Dori Caymmi e Nelson Motta, o clássico Só tinha de se ser com você, do Tom e do Aloisio Oliveira, também cantanda em português, a também maravilhosa So many stars, com participação de Sérgio Mendes no piano, a clássica Moon river, a bela Overjoyed, de Stevie Wonder, a também maravilhosa Caminhos cruzados, do Tom e do Newton Mendonça, também cantada em português, com participação do gaitista Toots Thielemans e no final a também bela A time for love, Johnny Mandel e Paul Francis Webster.

Uma das melhores surpresas de 2007 foi o disco ONDE BRILHAM OS OLHOS SEUS, que traz a vocalista do Pato Fu, Fernanda Takai, em sua estréia solo provando ser uma das melhores cantoras do país numa recriação de canções gravadas por Nara Leão. Com produção do marido e também parceiro de Pato Fu, John Ulhôa, que também toca todos os instrumentos, o álbum conecta dois grandes momentos da Música Brasileira, dois universos ricos e criativos, a fase áurea de Bossa-Nova e Tropicália e o momento atual, onde produção, composição e interpretação ganham alta qualidade com nomes fora da mídia e do grande mercado. Fernanda Takai dá nova alma a clássicos, como Insensatez de Tom Jobim e Vinícius de Moraes e Com açúcar, com afeto de Chico Buaque e atualiza lindamente pérolas esquecidas, como Seja o meu céu, de Robertinho do Recife, uma das melhores do disco. Ciente de suas limitações, assim como Nara, Fernanda explora o sentimento através de sua voz doce e pequena. O resultado se encaixou de forma perfeita ao repertório de Nara, como se as canções tivessem sido feito para ela, como em Canta, Maria de Ary Barroso e Diz que fui por aí de Zé Ketti, outro destaque do álbum. Ao todo são 13 músicas, com versão particulares, numa desconstrução que às vezes causa até estranhamento. Não há fidelidade alguma às versões originais e esse é um dos maiores méritos do trabalho. A bossa, MPB, choro e samba de nomes como Chico Buarque, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, Caetano Veloso, Zé Kéti, Nelson Cavaquinho, Erasmo e Roberto Carlos e Ary Barroso se transformam em versões discretas e caprichosamente modernas. O cd também tem a primeira regravação de Lindonéia, clássico da tropicália de Caetano Veloso e Gilberto Gil, Luz negra, de Nelson Cavaquinho, a bela Debaixo dos caracóis dos seus cabelos, de Roberto e Erasmo Carlos, a maravilhosa Odeon, de Ernesto Nazareth com letra do Vinícius de Moraes, a espetacular Estrada do sol, de Tom Jobim e da Dolores Duran, Trevo de quatro folhas, que já foi gravada pelo João Gilberto, a belíssima Descança coração, música que pode ter sido a última gravada pela Nara, versão em português da clássica My foolist heart, feita pelo Nelson Motta e Ta-hi, sucesso na voz de Carmem Miranda. . Pop, rock, jazz, soul e em alguns momentos até um clima meio ambient music. Além de John, o disco conta com participações de Lulu Camargo, tecladista do Pato Fu, e Roberto Menescal, que gravou as guitarras de “Insensatez”. Em formato digipack e belo projeto gráfico, o CD vale a pena também pelo belo projeto gráfico, que inclui textos de Nelson Motta, letras das músicas e fotos. Co-produzido por Nelson Motta (que lançou a idéia do projeto), “Onde Brilham os Olhos Meus” foi eleito ‘Melhor Disco’ pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), na categoria popular Um daqueles discos que vale a pena ter em casa e que nos revela uma nova e bela faceta da carreira de Fernanda Takai.

No final de 2007, pela Biscoito Fino sai o belíssmo DVD A Casa do Tom. “Esse negócio de entender de uma coisa, tem que amar. Quando você ama, isso cria uma capacidade. Você se interessa pela coisa, você começa a olhar”. A frase de Tom Jobim foi tão bem entendida por Ana, sua mulher durante 17 anos, que ela lança agora um DVD, pela Jobim Biscoito Fino, com sua história de amor com o maestro, com a família e com a natureza que aprendeu a ver pelos olhos de Tom e tão bem registrou em fotos, publicadas em diversos livros sobre o compositor. A inspiração para este DVD veio do Ensaio Poético, livro que lançou em parceria com o marido em 1987 na Casa de Cultura Laura Alvim. Na época, Ana pensou em fazer um vídeo com Tom que pudesse ser exibido em diversos monitores enquanto durasse a exposição de fotografias do livro. Chamou o primo documentarista Luiz Eduardo Lerina, contratou uma equipe composta por cinegrafista e sonoplasta, e saiu em campo documentando o marido na intimidade. Tudo feito de maneira muito livre, como ela faz questão de dizer. Tom abordava os temas que tinha vontade no momento e ela seguia sua intuição, filmando-o na casa que estavam construindo no Jardim Botânico, no Rio, no sítio da família em Poço Fundo, na serra fluminense e em Nova York. O material resultou em oito horas de gravação. Guardado há exatos 20 anos, de vez em quando Ana se via às voltas com o pedido de alguma televisão que desejava exibir uma imagem ou trechos do trabalho. Ela sentiu que os empréstimos poderiam acabar com o ineditismo e a intimidade dos filmes: “Começamos a ficar meio ciumentos, porque se fosse fragmentado perderia o sentido”. Decidiu então que iria preservar toda a documentação para a hora certa. Não deve ter sido fácil mergulhar nesta memória com passagens muitos dolorosas. Mas ela conseguiu, de certo modo, fazer uma catarse e está feliz com o resultado. Além de lindo, o DVD é emocionante. Narrado pela própria Ana Jobim, tem como fio condutor o poema Chapadão, que Tom começou a escrever quando escolheram o terreno no alto do Jardim Botânico para construírem sua casa: “A casa levou quatro anos para ficar pronta e o poema, oito”, conta ela no DVD.

O poema vai intercalando falas, fotos em P&B e cor, filmes caseiros, filmes profissionais, uma grande entrevista com Tom feita por Ana e histórias saborosas de uma intimidade de amor: “No dia da mudança para o alto do Jardim Botânico”, conta Ana, “a única preocupação de Tom era o piano. Ele mesmo ligou para a transportadora, tomou conta de cada passo, desde a saída da casa antiga, à chegada na casa nova, até a posição do piano na sala”. As locações mudam. Tom pode estar no apartamento de Nova York ao piano e abandonar o teclado para carregar a filha Maria Luiza, ainda um bebê, ou brincando com o filho João Francisco no Central Park ou nos jardins de Poço Fundo. Ou conversando com Narciso, um empregado do sítio, que lembrava os personagens fantasiosos de Guimarães Rosa que Tom tanto amava: “Seu Tom, senhor acredita que eu meti tanta bordoada no lobisomem, que o lobisomem só olhava pra mim com a cara redonda, a orelhazinha curta e todo rupiado. Falei: vai me pegar...”. Esta conversa acontece debaixo de uma mangueira e Tom não perde a oportunidade de exercer seu fino humor: “Você vê: essa mangueira aqui, por exemplo, não dá manga, mas dá água...Isso na verdade, isso não é uma mangueira, isso é o pessoal de Hollywood que veio me filmar...são os cabos da CBS, da NBC”.
Musicalmente, A Casa de Tom - Mundo, Monde, Mondo também é intimista. Tema para Ana, a primeira faixa, é executada por Ryuichi Sakamoto e Jaques Morelembaum, numa gravação feita na própria casa de Ana e Tom. Sakamoto tinha loucura para conhecer o piano do maestro. Ana emprestou a casa – Tom havia morrido oito anos antes – e os dois músicos acabaram gravando todo um CD no piano encantado. Mas Ana guardou uma preciosidade. O próprio Tom interpretando Tema para Ana, que ele nunca gravou comercialmente e ela tinha guardado num gravador caseiro.
Ao todo são 24 músicas, algumas com participações (Dorival Caymmi, Chico Buarque, Maucha Adnet, a própria Ana Jobim, Danilo Caymmi, Paulo Jobim e a pequena Maria Luiza, acompanhando o pai em Samba de Maria Luiza, além da célebre gravação de Garota de Ipanema com arranjo de Eumir Deodato e participação de Jerry Doggion (sax-alto), Ron Carter (baixo), Joe Farrel (flauta) acompanhando o piano de Tom. Nos extras, mais seis canções e dois poemas. Além de Águas de Março, uma verdadeira homenagem a Dorival Caymmi (Maracangalha, Saudades da Bahia, Suíte do Pescador e Maricotinha), uma lembrança de Bororó (Curare) e os poemas Chapadão e Oda a Rio de Janeiro, de Pablo Neruda.
E voltando àquela história “esse negócio de entender de uma coisa, tem que amar”, Ana Jobim dedicou o trabalho aos dois filhos, João Francisco e Maria Luiza, sem esquecer de citar os dois mais velhos, de Tom com Tereza, Paulo e Elizabeth. A Casa do Tom é, principalmente, um resgate do pai para Maria Luiza, que tinha apenas sete anos quando ele morreu.


Sábado, 19 de Julho de 2008

7 - A Bossa Nova hoje - 8ª parte



8ª parte

O ano de 2006 começa muito bem pra música brasileira, no exterior, porque aqui a coisa continua feia com a volta do funk agora com força total, com direito a passar na novela das 8 da Rede Globo, mas no início do ano sai na Europa duas colêtaneas maravilhosas pela Farout Recordings.

A primeira delas é AZIMUTH – PURE (THE FAR OUT YEARS 1995 – 2006) com o melhor da explendorosa banda Azimuth fez pela gravadora Farout Recordings com direito a músioca inédita. As músicas desse cd são: Brazymuth, Tudo o que você podia ser, Laranjeiras, O lance, Quem com quem, música feita com ninguém menos que o Marcos Valle, que é o mentor espiritual da banda, já que o nome da banda vem de uma música expetacular do Marcos Valle, o disco também tem Carangola, Saudades do doutor, Antes que esqueça, Juntos mais uma vez, Chameleon, Carnival, Xingo, Morning e Tempos do Paraná.

A segunda delas é a sensacional BRAZILIAN LOVE AFFAIR REMIXED, é a versão remixada de uma colêtanea maravilhosa de música brasileiora feita por vários djs europeus. As músicas desse disco são: Pára de fazer, música inédita de Marcos Valle, remixada pelo 4hero, depois tem a bela Besteiras de amor, também do Marcos Valle, remixada por Jazzanova, depois tem Maracatueira, cantada pela desconhecida Sabrina Melheiros, remixada pelo Incognito, depois tem Chuva, do Vertente, remixada pelo Seiji`s Oreja, depois tem a expetacular Parabéns, também do Marcos Valle, remixada por Daz-I-Kue`s Bugz in the Attic Dub, depois tem Somewhere beyond, do Natures Plan, remixada pelo Marc Mac`s Dollis House, depois tem Ah você não sabe, do Azimuth, remixada pelo Roc Hunter Body and Soul Mix, Laranjeiros, também do Azimuth, remixada pelo Frytonix, depois tem Francisco Cat, do Friends from Rio, remixada por APE e no final tem Batlle of the Giants, do Grupo Batuque, remixada pelo Roc Hunter.

Também em 2006 e também na Europa, sai a belíssima coletânea THE NOW SOUND OF BRAZIL 2, pela Crammed com o melhor da música brasileira atual, pelo menos na visão dos europeus. O cd começa com a versão remixada da sensacional Simplesmente, da fantástica Bebel Gilberto, remix belíssimo de Tom Middleton Ballearic, depois tem a brasileiríssima Samba da minha terra, com sotaque holandês da banda Zuco103 ao lado do Bossacucanova, depois tem Inexplicata, com Apollo 9, depois tem Esplendor, com a Cibelle, depois tem Por acaso pela tarde, do grande Celso Fonseca, depois tem Trancelim de Marfim, com Dj Dolores e Issar, depois tem Eu nasci no Brasil, com Zuco 103, depois tem a sensacional Cada beijo, também da Bebel Gilberto, remixada por ninguém menos que Thievery Corporation, depois tem Love is Queen Omega, com Zuco 103 e Lee Scratch Perry, depois tem a música 86, com Apollo 9, depois tem Meu amor, com a Cibelle, depois tem Roberto Menescal e o Bossacucanova, transformando a clássica Bonita, de Tom Jobim, num samba house maravilhoso, depois tem a música Atlântico, de Celso Fonseca, remixada pelo Da Lata e no final tem mais uma versão de Trancelim de marfim, do Dj Dolores, só que agora remixada pelo Apollo 9.

Mas a melhor notícia para a música brasileira do ano de 2006 sai em Los Angeles, nos EUA, mas precisamente no bairro de Beverly Hills, onde acontece um encontro memorável e surpreendente: do rapper americano Will.I.Am, líder da famosa banda Black Eyed Peas e o mestre da Bossa Nova: Sérgio Mendes. Eles se juntam e fazem um disco excepcional chamado TIMELESS, eterno, como Sérgio Mendes é, depois de 10 anos sem lançar um disco e 40 anos depois do sucesso estrondoso do disco que vendeu mais de 1 milhão de cópias. Nesse disco de 1966, Sérgio Mendes criou a Bossa Pop, e com TIMELESS, cria a Bossa Rap, uma mistura maravilhosa de Bossa Nova com Hip Hop. O disco começa logo de cara com o superclásssico Mas que nada, transformado num samba rap, com trechos da música em inglês, feitos por ninguém menos que a banda Black Eyed Peas, quem canta em português é Gracinha Leporace, que é mulher do Sérgio Mendes, depois tem a bela That heat, do Will Adams, com citação de Slow Hot wind, música de Henri Mancini e Norman Gimbel, com participação do Will.I.Am e da cantora americana Erykah Badu, depois tem os clássicos afrosambas Berimbau/Consolação, cantados pela Gracinha Leporace e com participação expecialíssima de Stevie Wonder tocando flauta (!), depois tem o clássico The frog, de João Donato, se tornando uma Bossa Rap, com participação do Will.I.Am e do rapper Q-Tip, depois tem a música Let me, versão em inglês de Deixa, do Baden Powell, cantada brilhantemente pela americana Jill Scott, com participação também do Will.I.Am, depois tem a também clássica Bananeira, do João Donato in jamaican style, transformada num reggae com rap feitos pelo jamaicano Mr. Vegas e cantada pela Gracinha, sem sombra de dúvidas é uma das melhores faixas do disco, depois tem a também clássica Surfboard, de Tom Jobim, transformada numa Bossa Rap sensacional com direito a letra em inglês inspirada de Will.I.Am, das praias cariocas para as ruas americanas, depois tem a bela Please Baby don`t, do americano John Legend, cantada por ele mesmo num clima bem Bossa Nova, depois tem o maravilhoso Samba da Benção, de Baden Powell e Vinícius de Moraes, com participação do Quarteto Maogani e do grande Marcelo D2, transformando esse clássico da música brasileira num samba rap delicioso, e no final ele manda a benção a Sérgio Mendes, a Will.I.Am, a Baden Powell, e ao “branco mais preto do Brasil” o poeta Vinícius de Moraes, depois tem a bela e inédita Timeless, do Sérgio Mendes, do Pritnz Board e da India. Arie, cantada brilhantemente bela própria India. Arie, num ritmo meio de escola de samba, depois tem a bela e surpreendente Loose Ends, do Justin Timberlake, do Will Adams e do Troy Jamerson, cantada pelo Justin Timberlake, pelo Will.I.Am e pelo Pharaohe Monch, depois tem a também surpreendente Fo`hop (Por trás de Brás de Pina), um forró e embolada com hip hop, feito pelo mestre Guinga e pelo Mauro Aguiar, com participação do próprio Guinga e do Marcelo D2, depois tem a bela Lamento no morro, de Tom e Vinícius, tirada da peça Orfeu da Conceição, em 1956, para as pistas de dança do mundo 50 anos depois, num samba house com uma versão instrumental com participação do Quarteto Maogani, depois tem a bela Ê menina, do João Donato, cantada pela Gracinha, pela costariquenha Debi Nova, pelo Sérgio Mendes e pelo Will.I.Am e no final tem o rap maravilhoso de Yes, yes y`all, feito pelo Will Adams, pelo Charles Stewart e pelo Tariq Trotter, com participação de Black Thought, pela Chali2na, pela Debi Nova e de novo pelo Will.I.Am. Finalmente, Sérgio Mendes teve o albúm que merecia com produção do Will, e esperamos que com esse disco ele finalmente seja reconhecido e respeitado no Brasil, já que nos Eua, na Europa e no Japão, ele é considerado um dos reis da Bossa Nova.

Finalmente em abril de 2006 sai pela gravadora Biscoito fino o cd RIO-BAHIA da Joyce e Dori Caymmi, depois de quase de um ano de espera, mas valeu a pena esperar porque esse disco e maravilhoso. É um reencontro da Joyce com o Dori que foi arranjador do primeiro disco dela em 1968. Como a Joyce falou no encarte do disco os dois são cariocas, mas cada um deles tem um pé na Bahia – ela por ser casada com um baiano, Tutty Moreno, e Dori por ser filho de Dorival Caymmi, o homem que, com Jorge Amado, inventou a Bahia. As canções falam destes lugares amados, berços da música brasileira, aquarelas do Brasil.

No final de maio o selo Jobim Biscoito Fino relança álbum idealizado por Hermínio Bello de Carvalho, que apresenta a última parceria de Tom e Chico. A música de Antonio Carlos Jobim e a Estação Primeira de Mangueira são duas das maiores referências da identidade carioca. Coube ao poeta Hermínio Bello de Carvalho juntar uma e outra em um álbum inteiramente dedicado a estas vertentes que constituem um dos grandes patrimônios da cultura brasileira. A Jobim Biscoito Fino relança NO TOM DA MANGUEIRA, idealizado por Hermínio no LP original de 1991, pouco antes do desfile em que a escola homenageou o maestro, no carnaval seguinte. “Tom estava eufórico e compusera com Chico a obra-prima Piano na Mangueira, lembra Hermínio”. Convidei Mauricio Tapajós para ser o produtor-executivo do disco e colocamos no estúdio um dos elencos mais caros do país – sem que ninguém cobrasse um tostão de cachê. Cismei de gravar Tom e Chico ao vivo, mas um problema técnico fez com que os re-convocássemos ao estúdio. Tom foi de uma docilidade extrema ao fazer o play-back para Carlos Cachaça recitar um poema. Como juntar Cartola, já desaparecido, a Paulinho da Viola? E Clementina a Ney Matogrosso? A tecnologia foi abrindo caminho e solucionando essas coisas que íamos inventando”, explica.
A abertura do álbum é exatamente Piano na Mangueira, última parceria de Tom e Chico, interpretada pelos próprios. Na seqüência, uma série de músicas de levantar poeira, em parte organizadas nos famosos blocos-temáticos concebidos por Hermínio. Sob o violão de Marco Pereira, Gal Costa recria Fala Mangueira, título do disco de 1968, reunindo Cartola, Clementina de Jesus, Carlos Cachaça e Odete Amaral. Idealizado por quem? Hermínio, naturalmente.
O desfile de “sambas que constituem o hinário daquela agremiação”, nas palavras de Hermínio, prossegue com Nasceste de uma Semente e Semente do Samba, juntando a voz de Ney Matogrosso ao violão de Raphael Rabello. A tal da tecnologia tratou de inserir a voz de Clementina de Jesus, gravada mais de vinte anos antes. Os duetos germinam ainda em Folhas Secas, de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, repisadas na cadência de Zezé Gonzaga e Baden Powell. A faixa seguinte une Tom e Carlos Cachaça em Não Quero Mais Amar Ninguém, de Cachaça com Cartola. Cláudio Nucci entoa Pranto de Poeta, outra de Nelson e Guilherme, e Paulinho da Viola recria Todo o Tempo que Eu Viver, de Cartola, junto ao próprio autor, num dueto só possibilitado pelos recursos de gravação então emergentes. Alcione, Beth Carvalho, Mestre Marçal e Peri Ribeiro enfileiram quatro criações de Herivelto Martins, com a participação do próprio mestre: Mangueira Não, Saudosa Mangueira, Lá em Mangueira, Praça Onze. Outra ilustre mangueirense, Leci Brandão, recria o injustamente pouco lembrado Padeirinho, em A Mais Querida.
Quando o Samba Acabou é uma das grandes criações de Noel Rosa, onde o poeta da Vila cita uma disputa amorosa protagonizada no morro da Mangueira, aqui na voz de Alaíde Costa. Assim como esta Joyce e Johnny Alf evidenciam a genealogia do samba na Bossa-Nova, em duas músicas de Benedicto Lacerda: Sabiá de Mangueira e Despedida de Mangueira. Sandra de Sá mostra que sambista também tem groove, em Meninos da Mangueira, que transforma Papai Noel num mulato sarará da família de Dona Zica, de acordo com os versos de Sergio Cabral para a melodia de Rildo Hora.
Nelson Cavaquinho aparece em três gravações da época do Zicartola, segundo Hermínio, a principal inspiração do disco: Rei Vagabundo, A Mangueira me Chama e Sempre Mangueira. Época esta em que surgiam os gênios de Chico Buarque, Caetano Veloso, Paulinho da Viola, revezando-se em Exaltação à Mangueira, Sei lá Mangueira e Mundo de Zinco. Maria Bethânia e o grupo vocal Garganta Profunda entoam Primavera, dos bastiões Nelson Sargento, Jamelão e Alfredo Português. Três vertentes díspares da música brasileira se locupletam em Enquanto Houver Mangueira, Onde Estão os Tamborins e Levanta, Mangueira, com Benito de Paula, Ivan Lins e Elza Soares. O Piano na Mangueira repousa no acervo do incansável Hermínio: “afago o manuscrito original do Piano na Mangueira, que Tom e Chico me ofertaram com tanta delicadeza, repetindo que a Mangueira é mesmo tão grande que nem cabe explicação, assim como este disco é para mim um chão de esmeraldas que volto a pisar ao lado de meus queridos concidadãos mangueirenses”, diz emocionado o poeta, que sabe ser mesmo diferente aquele pranto sem lenço que alegra a gente.

Em julho sai também pela Biscoito Fino o DVD TOM JOBIM AO VIVO EM MONTREAL, um DVD que mostra o maestro Antônio Carlos Jobim à frente da Banda Nova no Festival Internacional de Jazz do Canadá, em 1986.
Maior nome da Música Popular Brasileira em todas as suas vertentes, o maestro Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim completaria 80 anos em janeiro de 2007. Antecipando as comemorações (como se as efemérides pudessem por si só justificar a celebração permanente em torno do nome e da obra de Antonio), a Jobim Biscoito Fino lança o DVD Tom Jobim ao vivo em Montreal, gravado em 1986, no festival internacional de jazz da cidade canadense. Vivendo aquela que o próprio maestro considerava a melhor fase de sua trajetória – em que percorria os palcos à frente de sua Banda Nova, mostrando as canções que o consagraram internacionalmente como um dos maiores músicos do século XX -, Jobim aparece feliz, renovado e falante nas quase duas horas de espetáculo registradas neste DVD. Ao lado de Jacques Morelenbaum (violoncelo), Paulo Jobim (violão), Danilo Caymmi (flauta), Sebastião Neto (baixo) e Paulo Braga (bateria), com o vocal de Ana e Elizabeth Jobim, Simone Caymmi, Maúcha Adnet e Paula Morelenbaum, Tom interpreta seus standards – com versões em português ou nas adaptações para o inglês -, além de músicas menos conhecidas de seus álbuns, àquela altura, mais recentes.

As músicas desse DVD são Samba de uma nota só, clássico que Tom fez com Newton Mendonça, Água de beber, também clássico, mas com Vinícius de Moraes, a eterna Chega de saudade, a maravilhosa Two Kites, música que Tom fez sozinho, a também maravilhosa Wave, que o Tom compôs sozinho, a então novíssima Borzeguim, a bela Falando de amor, a também nova Gabriela, a clássica A felicidade, que Tom também fez com Vinícius de Moraes, o também clássico Samba do avião, que Tom compôs sozinho, a expetacular Waters of March, a também eterna e expetacular Garota de Ipanema e no final de novo Tom canta Samba de uma nota só, com direito ao Tom Jobim fazendo citação a Canção do Exílio, poema do Gonçalves Dias. O extra traz uma entrevista de Tom concedida em sua casa, no bairro do Jardim Botânico, no Rio, em 1981, ao jornalista Roberto D’ávila, num dos momentos mais confessionais e comoventes já registrados com a presença do maestro – que fala de música, brasilidade e sentimentos como o amor e a tristeza, indispensáveis à sua criação.

Nesse mesmo ano de 2006, morre um dos maiores mestres da música brasileira: o maestro Moacir Santos, que compôs a maravilhosa Nanã que é conhecida no mundo todo, além de outras composições sensacionais e foi homenageado pelo Vinícius de Moraes na música Samba da Benção onde ele diz: “Benção ao maestro Moacir Santos, que não é um só, mas tantos como o meu Brasil de todos os santos, inclusive meu São Sebastião”.

Em agosto de 2006, sai a continuação de uma das coletâneas de maior sucesso na música mundial: CHILL:BRASIL 4. Depois do sucesso dos três primeiros cds que foram compilados pelo Marcos Valle, pela Joyce e pelo Gilberto Gil, agora sai o quarto volume cujas músicas foram escolhidas pela Roberta e a Flávia Eluf. Assim comos os três cds anteriores o disco é duplo.

As músicas desse disco são:

CD 1 – Querida, com Tom Jobim, Carta ao Tom, com Toquinho e Vinícius de Moraes, La piu bella del mondo, com Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, Triste, com João Gilberto, Foi assim, com Fafá de Belém, Quem eu quero bem, com Daniela Procópio, Como nossos pais, com Belchior, Ponteio, com Hélio Delmiro, Correnteza, com Tom Jobim, Sad Samba, com Deeper & Pacific, Um índio, com Barão Vermelho, A Paraíba não é Chicago, com Marcos Valle, Estou livre, com Tony Bizarro, Vamos dançar, com Ed Motta, Meu guarda-chuva, como Funk como le gusta e Dzarm, com Jorge Ben Jor.

CD 2 – Sá Marina, com Wilson Simonal, Testamento, com Toquinho e Vínicius, Samba de verão, com Conjunto Som 4, Águas de Março, com Rosa Passos, Pelas tabelas, com Roberta Sá, Aquele abraço, com Gilberto Gil, Lata d’água, com Sônia Rosa, Madalena, com Elis Regina, Olha aí, com Johnny Alf, Bolinha de sabão, com Renato Perez, Dores de amores, com Luiz Melodia, Feiticeira, com Zezé Motta, Saudade da Bahia, com Nana, Dori e Danilo Caymmi, Bebete Vãobora, com Eletrosamba e Balé de Berlim, com Gilberto Gil.

Domingo, 6 de Julho de 2008

7 - A Bossa Nova hoje - 7ª parte



7ª parte

Em 2005, sai pela Biscoito Fino, o DVD JOYCE A BANDA MALUCA – AO VIVO, o primeiro DVD da maravilhosa Joyce. A banda maluca saiu do Rio, virou CD no Japão, Europa e Brasil. Agora ganha imagens através de um elegante musical gravado em um teatro em São Paulo em co-produção da gravadora Biscoito Fino com a TV Cultura. Apenas Joyce e os músicos, sem platéia. Uma fotografia musical que mostra a intimidade de quem está tocando junto e viajando o mundo há mais de dez anos. Joyce fugiu dos padrões de Dvds que revisam carreiras e optou por mostrar sua produção recente. Das 18 músicas, 12 são saídas de seus dois últimos CDs, Gafieira moderna (2001) e Banda maluca (2004). Entre os extras, o making of da gravação do disco Banda Maluca (que saiu na Inglaterra com o título de Just a Little Bit Crazy); uma entrevista com a cantora, exibida em especial da TV Cultura; cenas da turnê na Europa e no Japão, com as participações das filhas de Joyce, as cantoras Clara Moreno e Ana Martins; um quiz para testar os conhecimentos dos fãs. Quem acerta, ganha como prêmio uma versão exclusiva de Monsier Binot e Claeana, em formato voz e violão. Outro diferencial foi a opção por registrar o show em um teatro vazio, sem público. Se a qualidade técnica da imagem peca em alguns momentos, o valor artístico compensa. Joyce se mostra como uma das mais antenadas e talentosas artistas brasileiras. Exportada para o mundo com embalagem verde e amarela, a música de Joyce levanta bandeira de um país moderno e antenado a suas tradições. A bossa dela é outra. As músicas desse DVD são: Banda maluca, com citação da música Chiclete com banana, do Jackson do Pandeiro, a clássica Upa neguinho, do Edu Lobo, Diz que eu também fui por aí, Você e eu, do Carlos Lyra e do Vinícius, Receita de samba, Forças d`alma, Azul Bahia, Galope, Na casa do Vila, A hard day`s night, L`étang, For hall, Na paz, Samba do Joyce, Aldeia de Ogum, sucesso nas pistas eletrônicas no mundo todo, Pause Pitte, a clássica Feminina, sua música mais famosa, e a eterna Aquarela do Brasil.

O ano de 2005 é o ano de lembrar os 25 anos da morte do poetinha Vinícius de Moraes. Como dizia o poeta, o bom samba é uma forma de oração. Por isso, saiu pela gravadora Biscoito Fino, o novo disco de Maria Bethânia: QUE FALTA VOCÊ ME FAZ, uma belíssima homenagem ao poeta. Bethânia redimensiona sua memória afetiva – e a de infindáveis gerações de brasileiros – através do cancioneiro de Vinicius de Moraes. São 15 faixas, em parcerias com Antonio Carlos Jobim, Garoto, Chico Buarque, Carlos Lyra, Baden Powell, Toquinho, Adoniran Barbosa, Jards Macalé, além de uma versão de Caetano Veloso para Nature Boy, de Eden Ahbez, incluindo um antigo registro da voz de Vinicius, recuperado por Bethânia. As músicas do disco são: a belíssima Modinha, parceria com o amigo Tom Jobim, depois tem um medley com Poética I, um poema do Vinícius e a bela Astronauta, parceira com Baden Powell, depois tem a clássica Minha namorada, magnifíca música com parceria de Carlos Lyra, depois tem a sempre emocionante A felicidade, um dos maiores clássicos da parceria com o Tom, depois tem a sensacional Tarde em Itapuã, parceira com Toquinho, praticamente um hino em homenagem a Bahia, terra natal de Bethânia, depois tem um medley com Lamento no morro e o Monólogo de Orfeu, duas peças maravilhosas do inesquecível Orfeu da Conceição, falando em Orfeu, depois tem Mulher sempre mulher, também do Orfeu, as 3 em parceria com o grande Tom Jobim, depois tem a comovente Gente Humilde, que Vinícius fez a letra, entusiasmado com a parceria entre Tom e Chico Buarque, pediu a Chico, em Roma, algumas sugestões para a letra que acabara de escrever sobre a melodia de Garoto. Proposta aceita, Vinicius tratou de comunicar em um telefonema exultante para o maestro, no Rio: “Tomzinho, o Chico agora também é meu parceirinho!”, depois tem a rara O mais que perfeito, parceria, até de certa forma surpreendente com Jards Macalé, depois tem a melancólica O que tinha de ser, também em parceria com Tom, depois tem outra música rara Bom dia tristeza, junto com o rei do samba paulistano Adoniram Barbosa (lembrando que um dia Vinícius disse que “São Paulo é o túmulo do samba”!), depos tem o clássico afrosamba Samba da benção, em parceria com Baden Powell, depois tem a também clássica Você e eu, parceira com Carlos Lyra, depois tem a também bela Eu não existo sem você, mas uma da brilhante parceria com Tom Jobim e fechando o disco a música Nature boy.

Também em 2005, sai o belíssimo cd BOSSA NOVA LOUNGE – SUMMER SAMBA, mas um volume dessa coletânea maravilhosa celebrando o melhor da Bossa Nova com toque de lounge music. As músicas desse disco são a clássica Os grilos, numa versão menos conhecida, tocada pelo grupo Os Cadedráticos, Samba de verão, que não podia faltar, cantada pelo Marcos Valle, Mar, mar, tocada pelo Walter Wanderley, Tema feliz, com a Leny Andrade, o clássico Samba do Carioca, tocado por ninguém menos que Meirelles e os Copa 5, a desconhecida Espero por você, cantada por Jorge Ben Jor, a clássica Rio, tocada pelo mestre João Donato, Surfin`in Rio, cantada pela Sylvia Telles, Adriana, pelo Roberto Menescal, Feitinha pro poeta, pelo grupo Os gatos, Samba da pergunta, pela Marcia, Meditação, pelo Eumir Deodato, Doralice, na versão que ganhou o mundo com João Gilberto e Stan Getz e fechando o disco a rara e bela Andorinha, com o nosso maestro soberano Tom Jobim.

Ainda em 2005, foi descoberto na Inglaterra um disco inédito de João Donato, que ele tinha gravado em 1973 aqui mesmo no Brasil, o nome do disco é A BLUE DONATO, na verdade o disco é um resto de gravação de um outro disco do João Donato, que acabou saindo sem essas músicas. As músicas desse disco são: Mimosa n.º 1, Tom thumb, a explendorosa Não tem nada não, Message from the nile, Mimosa n.º 2 e Mr. Keller. Esse cd saiu pela gravadora inglesa What Music, e como sempre, ainda não se sabe quando vai chegar aqui no Brasil. As músicas são todas instrumentais e têm o jeito bem samba jazz, que o João Donato foi um dos criadores.

Também em 2005, sai aqui no Brasil uma belíssima coletânea dupla chamada FOTOGRAFIA – OS ANOS DOURADOS DE TOM JOBIM. Um cd duplo que mostra muito bem porque que Tom foi o maior compositor de música popular do mundo em todos os tempos.

No primeiro cd estão vários sucessos. As músicas desse primeiro cd são: Garota de Ipanema, Água de beber, Insensatez, Samba de uma nota só, Só danço samba, Chega de saudade, Desafinado, Águas de Março, na clássica versão com Elis e Tom, Só tinha de ser com você, também com Elis e Tom, Fotografia, também com Elis e Tom, Chovendo na roseira, com Edu e Tom, Luiza, também com Edu e Tom, Passarim, Gabriela e Anos Dourados, com Chico Buarque.

Já no segundo cd tem gravações raras. As músicas desse segundo cd são: a primeira gravação de Águas de Março, em 1972, Olha Maria, com Chico Buarque, Canção em modo menor, com Nana Caymmi e Tom Jobim, Soneto da separação, com Vinícius de Moraes, Matita perê, com Paulo César Pinheiro, Pé do Lageiro, com Tom Jobim e João do Vale, O rio da minha aldeia, Cavaleiro monge, essas duas últimas saídas do disco A MÚSICA EM PESSOA, com artistas brasileiros musicando poemas de Fernando Pessoa, outra versão de Águas de Março, essa com Tom Jobim, Chico Buarque e Caetano Veloso, a versão orginal de Anos dourados, instrumental como saiu na minissérie da TV Globo, Trem azul e fechando o disco a bela Querida.

Também em 2005 sai no Japão o extraordinário disco RIO-BAHIA, da sempre explondorosa Joyce e Dori Caymmi, filho do mestre Dorival Caymmi. Como era de se esperar saiu primeiro no exterior e só em 2006 chegou ao Brasil. “Existem pequenas iguarias que só dão aqui. Aí, vem o japonês e compra". Em tom de brincadeira, Joyce traça um paralelo entre o cupuaçu, fruto brasileiro patenteado por uma empresa japonesa (!), e a trajetória dela e de outros músicos brasileiros que encontraram no exterior espaço para gravar. RIO-BAHIA, de Joyce e Dori Caymmi, é a prova. Lançado pela JVC na Ásia e Oceania e pela Far Out na Europa e nos Estados Unidos, o disco já tem turnê marcada no Japão, em julho, e na Europa, em setembro.
E
no Brasil? Por aqui, nem sinal. "Para variar, sairá primeiro lá fora", diz Joyce. "No começo eu achava estranho, mas já me acostumei. São discos gravados aqui, com músicos daqui e com canções cantadas em português.
, sai por uma companhia estrangeira. É a ”mcdonaldização” da música." As músicas desse disco são: a bela Mercador de Siri, música do Dori Caymmi e do Paulo César Pinheiro, a maravilhosa e
inédita Rio-Bahia, da Joyce, com citação de Acontece que sou baiano, do Dorival Caymmi, Flor da Bahia, também inédita, do Dori e do Paulo César Pinheiro, a rara Geraldo boa pinta, de Geraldo Jacques e Haroldo Barbosa, que o João Gilberto nunca gravou, Fora de Hora, parceria inédita e maravilhosa do Dori com Chico Buarque, Daqui, também inédita, da Joyce e do Roberto Stroeter, com um clima bem nordestino com direito a sanfona e tudo, The colors of joy, também inédita e também da dupla Dori e Paulo César Pinheiro, E era Copacabana, outra parceria inédita , agora da Joyce e do Carlos Lyra, num bolero delicioso, Jogo de cintura, também inédita e também do Dori e do Paulo César Pinheiro, depois tem o clássico baiano Saudade da Bahia, do Dorival Caymmi, cantada só pela Joyce, depois tem a extraordinária Demorô, com direito a letra e tudo, música que a Joyce gravou e colocou no cd CHILL: BRASIL2, depois tem mais uma música inédita Rancho da noite, da Joyce e do Paulo César Pinheiro, depois tem mais uma inédita a bela Saudade do Rio, também do Dori e do Paulo César Pinheiro e fechando esse disco que é uma verdadeira ponte do Rio para Bahia, a música Pra que chorar, clássico do Baden Powell e do Vinícius de Moraes. Com direito a um coral que foi chamado de A festa do Vinícius, com a Mônica Salmaso, Renato Braz, Clara Moreno, Tutty Moreno, Rodolfo Stroeter, Noa Stroeter, Andréa Brandi, Joana, Flora, Dori Caymmi e a Joyce.

Dia 12 de junho de 2005, Lagoa Rodrigues de Freitas, Rio de Janeiro. Nesse dia e nesse local aconteceu um show histórico da Bossa Nova. Não, você não está louco, se acha que voltou no tempo especialmente ao final dos anos 50 e início da década de 60. Os tempos são outros estamos no século XXI, a TV e a rádio brasileira está enfestada de música de péssima qualidade especialmente Funk e Breganejo, mas a Bossa Nova já tem quase 50 anos e parece cada dia mais nova como mostra nesse show que saiu o cd e o DVD ao vivo BOSSA NOVA IN CONCERT. Mesmo com isso tudo ainda se ouve Bossa Nova nas novelas, nos programas de TV e até no rádio e por milhões de jovens no mundo inteiro especialmente no Japão e na Inglaterra e até no Brasil. Nesse show têm vários artistas que ajudaram a formar a Bossa Nova, outros que se entregaram no caminho até chegar a New Bossa, ou a Nova Bossa Nova, que ganhou a Europa (especialmente a Inglaterra) e o Japão com novos nomes e artistas já consagrados sendo cada dia mais modernizados. O show foi apresentado por ninguém menos que Miele, como em vários outros shows históricos da Bossa Nova. O cd e o DVD têm direção de Roberto Menescal, um dos que tem maior autoridade no mundo pra se falar de Bossa Nova. As músicas desse disco histórico são: Ela é carioca, com Os Cariocas, fantásticos como sempre, Adeus América, do Haroldo Barbosa, numa interpretação de arrepiar também com Os Cariocas, muito diferente da versão cantada pelo João Gilberto, depois tem a cinquentona Rapaz de bem com Jhonny Alf modernizando o marco zero da Bossa Nova, depois tem um que não podia faltar o professor do Tom Jobim: João Donato mais moderno que nunca com Minha saudade e a extraórdinária Amazonas, depois tem Carlinhos Lyra parcerinho 100% como dizia Vinícius de Moraes com o clássico Lobo bobo e com o coro na também clássica Minha namorada, depois tem Roberto Menescal, outro que não podia faltar e a Wanda Sá cantando mais uma vez O barquinho juntando com Você também do Menescal, depois eles cantam Telefone, ao lado do Miele, depois tem a bilionésima gravação de Garota de Ipanema, cantanda pelo Pery Ribeiro, que alías foi o primeiro que gravou em 1962, depois tem uma interpretação emocionante de O astronauta do Baden Powell e do Vinícius com o Pery Ribeiro com citação de Só tinha de ser com você apresentando Leny Andrade, depois tem a Leny, que é a nossa Ella Fitzgerald dando show em Batida diferente, do Durval Ferreira, com o próprio no violão, depois tem uma das primeiras composições da Bossa Nova: Chora tua tristeza com o Oscar Castro Neves, autor da música, no violão e a Cris Dellano transformando esse clássico numa New Bossa, com sua voz espetacular, depois tem a rara A morte de um deus de sal, numa versão instrumental com Roberto Menescal e Oscar Castro Neves, falando em New Bossa, depois tem o inventor dela Marcos Valle cantando a sua clássica e de sempre Samba de verão, de diferente só que ele mistura português e inglês no meio da música, depois tem um dos maiores sucessos da New Bossa e da música de hoje no mundo o já clássico Os grilos, numa versão super moderna com Marcos Valle e a Patricia Alvi, depois tem Águas de março, cantada pela Cris Dellano e o Bossacucanova e no final tem Rio, cantada pela Cris Dellano, com o Bossacucanova, Oscar Castro Neves e Roberto Menescal, transportando as pistas londrinas de vez pra o Rio de Janeiro e mostrando ao mundo que a Bossa está cada vez mais nova e mais moderna.

No dia 27 de julho de 2005, morre um dos maiores, senão o maior baterista brasileiro: Dom Um Romão, que fez parte do lendário Copa 5 ao lado de J. T. Meirelles e participou de alguns dos maiores discos brasileiros de todos os tempos como : CANÇÃO DO AMOR DEMAIS, SAMBA ESQUEMA NOVO, O SOM, A BAD DONATO e FRANCIS ALBERT SINATRA E ANTONIO CARLOS JOBIM.

Também em 2005, sai pela gravadora Biscoito Fino, mais um disco da Leila Pinheiro. O belíssimo NOS HORIZONTES DO MUNDO. Nos Horizontes do Mundo, música de Paulinho da Viola, que dá nome ao 12º disco de Leila Pinheiro, é uma obra plural. Plural visitado na escolha das 16 canções – 11 inéditas, dos mais de 20 compositores, dos 40 músicos, das múltiplas sonoridades. Além de tocar piano e/ou teclado em todas as faixas, Leila grava duas músicas de sua autoria: pela primeira vez registra a balada Hoje, que a tornou parceira de Renato Russo em 1993, e assina o tema Delicadeza.. A profunda organicidade do CD resulta também do incansável e fértil intercâmbio entre os habitats musicais de Alê e de Leila. Co-produzido pela cantora, o trabalho foi gravado no Estúdio da gravadora Biscoito Fino no Rio em outubro e novembro de 2004 e mixado em fevereiro deste ano, no Studio Ilha dos Sapos, de Carlinhos Brown, em Salvador. No repertório, além da canção de Paulinho da Viola que batiza o trabalho, um generoso leque de inéditas. Gozos da Alma, fulgurante e arrebatadora melodia de Francis Hime, espécie de metonímia do espírito de Leila, com letra de Geraldo Carneiro emprestada da poesia seiscentista do londrino John Donne é horizonte inesquecível. Tiranizar, atualíssima lâmina poética de Caetano Veloso cai como luva na bossa de Cézar Mendes - um raro fazedor de canções -, cantada ao pé do ouvido, quase sussurrada. Vem, Amada, samba-canção de Simone Guimarães, recebeu um plangente piano, minimalista, reforçando a simplicidade desse bilhete de amor. Eduardo Gudin confirma-se poeta de primeiríssima em O Amor e Eu, samba feito especialmente para Leila, transformado num fino samba-reggae, com direito a timbau e rubber nose gravados na Bahia. Nesta música, à percussão de Marcos Suzano, juntou-se Kiko Freitas, um excepcional baterista, um pintor com baquetas, de criatividade e técnica impressionantes. A Vida que a Gente Leva, cativante canção da safra recente de Fatima Guedes, transborda o traço da compositora na música e na letra. Pela Ciclovia, instigante parceria entre Marcos Valle e Jorge Vercilo provoca os ouvidos com sopros, teremim e percussão enquanto passeia pela orla carioca. Literalmente anti-horário, sem pressa, Walter Franco assina A 60 Minutos por Hora, um mantra para ser ouvido pela vida afora. O belo, por exemplo, dos Gozos da Alma, de Francis e Geraldinho Carneiro: acho que não há no planeta quem não se emocione com essa canção e veja nela essa beleza a que eu me refiro”. Leila se mostra novamente uma feliz promotora de encontros inéditos. A tão alardeada e já histórica parceria entre Ivan Lins e Chico Buarque, Renata Maria – gravada com a bênção de Chico, duetando com Leila –, nasceu a pedido dela. Assim como Deu no que Deu, cruzamento do samba carioca da gema de Joyce com a poesia da paulicéia esperta de Luiz Tatit, temperado pela presença da compositora, tocando violão e cantando. Depois de ter dito estar “enferrujado”, Chico fez essa letra maravilhosa para a música do Ivan que eu lhe havia entregado na esperança de que ficasse pronta a tempo de entrar no disco. Com Renata Maria se inaugura essa histórica parceria. A letra chegou quando o disco já estava fechado. Mudamos o arranjo, pensado inicialmente só para eu cantar, e complementamos depois com a “cama” de teclados em Salvador e com o flugel maravilhoso do Jessé Sadoc. Mais feliz fiquei quando Chico aceitou o convite para cantar comigo. Ivan Lins é, para mim, um dos maiores compositores contemporâneos do mundo. Depois de finalizada, coloquei Renata Maria para ele ouvir pelo telefone, chorou como criança, dizendo não imaginar que o sonho de ter uma canção sua letrada por Chico Buarque ainda fosse se realizar.”
A Minha Alma, virulento hit do Rappa e Marcelo Yuka, é tiro certeiro na emoção, rasgada por efeitos de guitarra e pela voz de Nelson Cavaquinho entoando Juízo Final. Em contraponto, Onde Deus Possa me Ouvir, de Vander Lee, traja piano e cordas do estilista Lincoln Olivetti, que igualmente assina arranjos e regências de cordas em Gozos da Alma e Hoje. Os sopros delirantes também são arte de Lincoln em Pela Ciclovia, Deu no que Deu, belíssima música de Joyce, e E Muito Mais. Este suingante achado de João Donato e seu irmão Lysias Ênio, ganha, com os metais de Lincoln, reforço no sotaque “acubanado” característico da levada de Donato. Não por acaso é em Havana, literalmente, o local de encontro da voz de Leila com o clássico do porto-riquenho Benito de Jesus, Nuestro Juramento, bolero estrondosamente conhecido na voz do equatoriano Julio Jaramillo. Em Cuba foram gravados contrabaixo, flauta, baila, güiro e maracas pela trupe do Buena Vista Social Club, naquele clima de tristeza emocionada que só lá se encontra.

Ainda em 2005, sai pela gravadora Biscoito Fino, o belissímo DVD Carlos Lyra - 50 Anos de Música. Celebrando o que poucos artistas podem ostentar diante de tão imponente efeméride: um repertório inteiro de clássicos, muito além da Bossa-Nova que o projetou e a qual seu nome se associa durante as cinco décadas que mudaram a maneira de se fazer e pensar música no Brasil e no mundo. Dirigido por Jodele Larcher, o DVD foi gravado em março de 2004 no Canecão, no Rio, com participação de amigos como Marcos Valle (Quem Quiser Encontrar o Amor), Leny Andrade (O Negócio É Amar), João Donato (Você e Eu, junto com Emilio Santiago), Os Cariocas (Mas Também quem Mandou, com o saxofone de Léo Gandelman), Roberto Menescal e Wanda Sá (Tem Dó de Mim). Outras gerações abraçam o compositor, de Ivan Lins (Canção que Morre no Ar) a Miúcha (Sabe Você), passando pela pós-bossanovista Leila Pinheiro (Saudade Fez um Samba, Se É Tarde me Perdoa, Lobo Bobo), até o popstar Toni Garrido (Samba do Carioca). O Quarteto em Cy comparece em Aruanda e Antonio Adolfo junta seu teclado ao violão de Carlinhos em Primavera.
Perpetuando
o clã, a filha Kay e o sobrinho Cláudio renovam as forças em Pode Ir e O Barco e a Vela, esta de autoria de Cláudio Lyra. Até o humorista Chico Caruso dá o ar da (sempre muita) graça na espantosa Comedor de Giletes, pouco conhecida parceria de Lyra com Vinicius. Ao lado da banda formada por Helvius Vilela (teclados), Adriano Giffoni (baixo), Dirceu Leite (sopros) e Ricardo Costa (bateria), Carlos Lyra comanda Minha Namorada, Quando chegares, Um abraço no João, Se quiseres chorar, Maria Ninguém, Coisa Mais Linda, Maria Moita, Gente do Morro, Sambalanço. Ao final, Menescal, Wanda e Leila se juntam ao compositor para entoar Benção bossa-nova, antes do final apoteótico de Marcha da Quarta-feira de Cinzas, com todos os convidados no palco, materializando as palavras de Vinicius de Moraes. Carlos Lyra, o parceiro cem por cento, mais uma vez une ação ao sentimento.

No panorama fértil das novas cantoras da música brasileira – em especial, no samba – uma nova voz surge para conferir generosidade e dolência ao gênero. Trata-se de Ana Martins, cujo disco SAMBA SINCOPADO, gravado no Japão, ganha edição brasileira, via Biscoito Fino agora em 2005. Pra quem não sabe, Ana Martins é a segunda metade da música Clareana, da mamãe Joyce. Assim como boa parte dos artistas brasileiros que vêm encontrando solo propício na terra do sol nascente, Ana Martins já gravou três álbuns no Japão, todos produzidos por Kazuo Yoshida. SAMBA SINCOPADO é o primeiro deles a sair no Brasil. Na hora de escolher o repertório, Ana apostou categórica na influência de uma das cantoras responsáveis pela abertura dos portos nipônicos à nação musical brasileira: Nara Leão. Foi direto à fonte e encontrou, nos momentos em que Nara se aproximou de sambistas como Zé Kéti, Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho e Paulinho da Viola, a matéria-prima para este trabalho. Ana recria clássicos do gênero como Coisas do Mundo Minha Nega e Recado, de Paulinho da Viola, esta em parceria com Casquinha; Quatro Crioulos, do musical Rosa de Ouro, com participação especial do autor Elton Medeiros; Nega Dina e Diz que Fui por aí, de Zé Kéti; Pranto de Poeta, de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, todos recriados por Nara, a partir de sua convivência com estes sambistas, em 1964, no Teatro Opinião. Há ainda Fez Bobagem, composta por Assis Valente na década de 30 e regravada por Nara nos anos 60. O SAMBA SINCOPADO de Ana Martins abre espaço para bossa-novistas e pós-bossa-novistas de primeira e segunda geração. Tem Vinicius de Moraes, com Tom Jobim em Lamento no Morro, Francis Hime em Anoiteceu e Baden Powell em Amei Tanto; Chico Buarque em Madalena Foi pro Mar, Morena dos Olhos D´Água, Homenagem ao Malandro; Sidney Miller em Maria e Maria Joana, em interpretações repletas de sofisticação cool e despojado requinte. Sofisticação acentuada pelo acompanhamento de Tutty Moreno (bateria e percussão), Jorge Helder (baixo acústico), Robertinho Silva (percussão), Nivaldo Ornelas (sax e flauta), Lula Galvão (violão), além da mãe de Ana, Joyce (violão, vocais e arranjos), que, aliás, foi da própria Joyce esta idéia de Ana gravar um disco com repertório da maravilhosa Nara Leão.

O primeiro DVD de um gênio da música brasileira é algo para ser comemorado, muito além de classificações por gêneros ou estilos. Sobretudo quando o artista em questão repassa seus grandes sucessos, em 50 anos de carreira, somados a novas composições que provam que o mestre continua a produzir incessantemente, dialogando com diversas gerações de músicos brasileiros, do samba ao bolero, da bossa-nova ao hip hop.
Saiu no mês de outubro o expetacular DVD
DONATURAL, o primeiro DVD de João Donato. DONATURAL apresenta João Donato em sua melhor forma, cercado de amigos e convidados, provando que sua música é impossível de restringir-se a segmentações. Ao dom natural de João, juntam-se os de Gilberto Gil, Marcelo D2, Joyce, Leila Pinheiro, Ângela Ro Rô, Emilio Santiago e Marcelinho da Lua, acompanhados por Luis Alves (baixo), Robertinho Silva (bateria), Donatinho (teclados), Sidinho (percussão), Ricardo Pontes (sax e flauta), Jessé Sadoc (trumpete), com Donato ao piano. O DVD foi gravado ao vivo em uma noite do verão carioca (10 de janeiro de 2005), no Espaço Cultural Sergio Porto. Muito à vontade, para não evitar o trocadilho com um de seus discos mais importantes, Donato inicia os trabalhos com Gaiolas Abertas, parceria com Martinho da Vila. Em seguida, recebe Joyce, com quem compartilha a maravilhosa Sambou, Sambou
(com João Melão) e a explendorosa E Vamos Lá, parceria com a cantora e violonista, que é sem sombra de dúvidas um dos melhores momentos do DVD. Lugar Comum, clássico com Gilberto Gil, é interpretado por Donato e banda. Mais convidados: Leila Pinheiro aparece para dividir a latina E Muito Mais e Até Quem Sabe; (ambas com Lysias Ênio); Emilio Santiago, com quem Donato gravou um álbum inteiro, reforça Vento no Canavial (também com Lysias); Ângela Rô Ro recria seu sucesso Simples Carinho, de Donato e Abel Silva. O clássico Amazonas (com Lysias) antecede duas outras canções com Gilberto Gil – A Paz e Bananeira -, desta vez com a presença do cantor ministro e parceiro nas composições, em dueto para entrar para a história, duas das mais famosas músicas do Donato no mundo todo. Minha Saudade é uma inusitada parceria entre dois gigantes que atendem pelo singelo nome de João: Donato e Gilberto, interpretada por Donato. É a senha para o momento pop, protagonizado nas parcerias com os Marcelos, da Lua (Lá Fora) e D2 (Balança), que, aliás, as duas músicas são o melhor momento do DVD. Resta agora, voltar ao Donato essencial, do clássico A rã (com Caetano Veloso), de Café com Pão (com Lysias Enio), Bluchanga, (só dele) e Nasci para Bailar, de Donato e Paulo André Barata. A direção do DVD é de Gustavo Caldas e Murilo Saroldi. Realmente João Donato mostra neste DVD que está mais jovem do que nunca e está cada vez melhor e prova por que hoje em dia é dos mais importantes músicos no mundo.

Também em 2005 sai o belíssimo filme COISA MAIS LINDA, que é um documentário sobre a Bossa Nova. COISA MAIS LINDA dá ao espectador uma visão geral, um painel histórico, musical e informativo de como se iniciou o movimento musical, Bossa Nova, que tem seus primórdios no início dos anos 50, atingindo um de seus ápices em 1962, quando se internacionaliza definitivamente, no concerto do Carnegie Hall, NY. A música que se fazia naquela época revoluciona a cultura musical brasileira na melodia, nas harmonias e arranjos, na composição, na batida famosa e nas letras líricas e românticas que prefiguravam um país feliz do Amor, do sorriso e da flor. Um período luminoso, quando um grupo de jovens da Zona Sul do Rio vira de ponta a cabeça a nossa música, com defensores e detratores, superados pelo tempo na eternização da Bossa Nova 40 anos depois um sucesso cada vez mais consagrado no mundo. Nossos principais condutores são os dois maiores compositores vivos do movimento: Roberto Menescal (do clássico "O Barquinho") e Carlos Lyra (dos eternos "Lobo Bobo", "Coisa Mais Linda" e "Você e eu"). Eles criaram canções que tocam pelo planeta, e estão presentes no filme contando as origens e os segredos do que viveram, com graça, felicidade e humor, de uma época inesquecível, num verdadeiro papo de velhos amigos, passando pelos locais que marcaram o início de suas carreiras. COISA MAIS LINDA apresenta entrevistas e números musicais exclusivos, de Roberto Menescal, Carlos Lyra, João Donato, Alaíde Costa, Johnny Alf, Kay Lira, Leny Andrade, Chris Delano, Joyce, Sergio Ricardo, Billy Blanco, enfim de todos os remanescentes vivos da época e alguns seguidores atuais. Entre muitos outros, contendo também originais e exclusivas imagens de arquivo de shows, apresentações internacionais, assim como de artistas estrangeiros que participaram deste movimento na época. O filme é ordenado em blocos, onde se focalizam: Ritmo, Letra, Harmonia, o Banquinho, a Batida, com depoimentos de teóricos e escritores de livros sobre o tema, como Sergio Cabral, Tarik de Souza, Arthur da Tavola, e de participantes ativos como Miele, Nelson Motta, etc.. Destaque também para o Maestro Antonio Carlos Jobim, sua carreira e a dupla Tom/Vinicius. Nara Leão também é homenageada. Um comovente bloco sobre a Musa, composto de inúmeras fotos, depoimentos, fonogramas da época e imagens de arquivo. O filme não pretende ser e nem é uma aula. Porém sua realização despretensiosa faz com que se transforme num documento audiovisual que proporciona ao espectador duas horas de boa música, pura diversão, e que ao mesmo tempo informa sobre este marco da cultura brasileira, que cada vez mais ocupa espaço nos corações e ouvidos de homens e mulheres em vários paises do mundo.

Tambem em 2005, sai pela gravadora Dubas, o maravilhoso JET-SAMBA, mais um cd do Marcos Valle. Este é o primeiro trabalho em quase 20 anos de sua carreira totalmente produzido, gravado e masterizado no Brasil, onde atua como produtor, compositor, músico e arranjador de todas as faixas, fazendo releituras de músicas suas já conhecidas do público, como o tema de abertura da novela "Selva de Pedra" e, ainda, apresentando belíssimos temas inéditos de sua autoria, com a participação de um time de músicos de primeira qualidade. O fato de Marcos Valle ser compositor tão grande quanto Dori Caymmi e Edu Lobo — com quem formou um trio, ainda adolescente no Rio do início dos anos 60, e que tanto definiria três vertentes da música criativa brasileira do pós-bossa nova — às vezes é posto em questão. Talvez pelo seu flerte com a música pop e a música comercial, (jingles, novelas), tida como menores ainda que tão enriquecidas por ele. JET-SAMBA (Dubas) vem não só mais uma vez evidenciar o altíssimo nível do compositor Marcos Valle como confirmá-lo pianista e, principalmente, orquestrador criativo. É um disco instrumental, o que não fazia desde BRAZILIANCE, gravado nos Estados Unidos em 1968. Como indica o samba-jazz do título, Jet-samba, é música para voar. A começar já na primeira das 12 faixas, Selva de pedra, famoso tema que abria a novela homônima, no qual o orquestrador encontra novas e insuspeitadas cores, explorando as sonoridades de seus pianos, o acústico e o elétrico Fender Rhodes, e do gordo naipe de sopros tocado por Jessé Sadoc (trompetes e flugel), Renato Franco (flautas e saxes) e Aldivas Ayres (trombone), que se desdobram em todas as entradas de seus instrumentos para dar conta da variedade e do tamanho dos arranjos. Selva de pedra define o espírito: temas bonitos e viajantes, solos melódicos e cristalinos de piano e sopros, harmonias supertrabalhadas e um groove dado pela cozinha rítmica (o piano de Valle, o baixo de Alberto Continentino e a bateria de Renato “Massa” Calmon, ambos do grupo de Ed Motta) que sempre marcou o trabalho de Valle. O repertório traz vertentes do trabalho de Valle. Tem jazz brasileiro, a inédita Jet-samba, baião expetacular em Campina Grande, samba meio valsa no delicioso compasso 6/8 (Vem e Esperando o messias), tão usado por compositores como Jobim (Chovendo na roseira) e Menescal (Morte de um deus de sal); mistura de culturas, Brasil/México, o trompete mariachi virando bossa nova; choro bem pianístico, Catedral e Posto 9; temas grandiosos como Previsão do tempo ou líricos como Adams Hotel. Dois momentos opostos são significativos da dimensão da música de Valle: o tema originalmente eletrônico Bar inglês ganha versão “tocada” e igualmente nervosa, comprovando o forte conteúdo de suas experiências no pop de ponta, numa versao maravilhosa; e La petite valse, linda valsa meio brasileira meio francesa que revela a filiação musical de um compositor que vem de lá, de Jobim e Debussy, desse amalgama de samba carioca e impressionismo francês com pitadas de tudo que soe bem, e que é a razão profunda de a música brasileira ser assim tão original.

Também em 2005 sai o sensacional filme Vinicius, em homenagem aos 25 anos da morte do poeta Vinícius de Moraes. Logo depois sai pela gravadora Biscoito Fino o disco VINICIUS - TRILHA SONORA DO FILME. Em seu depoimento no filme Vinicius, o poeta Ferreira Gullar diz que Vinicius de Moraes ensinou o Brasil a ser feliz. De fato, são muitas as gerações que reconheceram no poeta a alegria permanente que a música, sobretudo quando acompanhada pela lírica de Vinicius, tem sido capaz de proporcionar aos brasileiros. A trilha sonora do filme - lançamento Biscoito Fino - retrata exatamente esta capacidade de perpertuar-se que, como poucas, caracterizam a obra de Vinicius.
Gravada especialmente para o documentário dirigido por Miguel Faria Jr., a trilha reúne parceiros canônicos - Carlos Lyra, Chico Buarque, Francis Hime, Toquinho, Edu Lobo - a artistas que despertaram para a música a partir do contato com a poesia de Vinicius, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Olivia Byington, até aqueles que surgiram depois da morte do poeta - Zeca Pagodinho, Adriana Calcanhotto e os novos Renato Braz, Mônica Salmaso, Yamandú Costa, Sérgio Cassiano, Martin´alia, a neta Mariana de Moraes. O álbum, como o filme, abre na crônica de Rubem Braga, narrada por Ricardo Blat, sobre a chegada da Primavera de 1980, a primeira desde 1913 sem a presença física de Vinicius. Presença que, para além da herança artística, se materializa como nome de rua, onde trafega o doce balanço das belas moças que o poeta não cansava de decantar. Em seguida, uma de suas mais emblemáticas canções, em parceria com Antonio Carlos Jobim, cujo título se compara à própria falta que Vinicius faz: Se Todos Fossem Iguais a Você, na voz de Renato Braz - que também canta Por Toda a Minha Vida. O hábito, cultivado por Vinicius, de abranger diversas gerações, estende-se à interpretação cool de Monica Salmaso para Insensatez e Canto Triste, ou na dolente versão de voz e violão de Adriana Calcanhotto para Eu Sei que Vou te Amar. Boa surpresa é o canto jazzy de Mariana de Moraes em Coisa Mais Linda, parceria com Carlos Lyra, acompanhada, entre outros, por Luis Claudio Ramos no violão e Wilson das Neves, na bateria. O violão virtuoso de Yamandú Costa sola Valsa de Eurídice, intrincada melodia que prova que Vinicius era um homem de intensa musicalidade, manifestada em versos ou, no caso, em notas. Chico Buarque, acompanhando-se ao violão, revisita Medo de Amar, letra e música de Vinicius, do álbum CANÇÃO DO AMOR DEMAIS, lançado por Elizeth Cardoso, em 1958, com canções de Tom e Vinicius. Chico conta que esta foi a primeira canção do poeta a impressioná-lo, apresentada a ele pelo próprio Vinicius, amigo de seu pai, no início dos anos 50, em Roma. Chico menciona ainda o Poema dos Olhos da Amada, canção que na trilha aparece na voz e violão de Caetano Veloso. Maria Bethânia interpreta O que Tinha de Ser, de seu mais recente álbum, QUE FALTA VOCÊ ME FAZ, inteiramente dedicado à obra de Vinicius de Moraes, lançado este ano pela Biscoito Fino.
O parceirinho cem por cento Carlos Lyra é quem canta Você e Eu, um de seus muitos clássicos com Vinicius. Também de Lyra é a embolada Pau de Arara – o Comedor de Gilete, feita para o musical Pobre Menina Rica, recriada por Sérgio Cassiano, do grupo pernambucano Mestre Ambrósio, com percussão de Naná Vasconcelos. Outros parceiros importantes a marcar presença são: Toquinho - com Tarde em Itapoã, da fase baiana de Vinicius, na década de 70 – e Francis Hime, em Sem Mais Adeus, sua primeira composição, letrada por Vinicius num guardanapo de papel do Antonio´s, a segunda casa do poeta. Edu Lobo redimensiona Berimbau, interpretando ao seu modo o violão afro-samba idealizado por Baden Powell, autor da melodia. Formosa, outra de Baden, é relida por Gilberto Gil, afirmando o componente africano do “branco mais preto do Brasil”. Do afro para as rodas de samba, Zeca Pagodinho emenda mais um Baden, Pra que Chorar, sob o trombone de Roberto Marques. Martin´ália transforma Sei Lá (A Vida Tem Sempre Razão) em partido alto. Olivia Byington canta Modinha, gravado anteriormente pela cantora na recriação do álbum CANÇÃO DO AMOR DEMAIS, também lançado pela Biscoito Fino. Dentre as récitas, a poesia de Vinicius ambienta-se nas vozes de Camila Morgado (Soneto de Fidelidade), Ricardo Blat (Poética I), Ferreira Gullar (Minha Pátria) e Maria Bethânia (Soneto do Amor Total). Realmente não dá pra perder o filme que é maravilhoso e sua trilha sonora que é sensacional.

No final de 2005, sai o belíssimo disco FALANDO DE AMOR FAMÍLIAS CAYMMI E JOBIM CANTAM ANTONIO CARLOS JOBIM, com um encontro memorável de Nana, Danilo e Dori Caymmi, com Paulo e Daniel Jobim 40 anos depois do histórico disco CAYMMI VISITA TOM E LEVA SEUS FILHOS. As músicas desse disco maravilhoso são: o clássico Samba do Avião, com introdução de Dorival Caymmi, cantada pelos cinco, depois tem a antiga Foi a noite, cantada pela Nana e pelo Paulo, depois tem o maior achado do disco, a inédita Bonita demais, versão em português do clássico Bonita, feito por ninguém menos que Vinícius de Moraes, letra até então que ninguém conhecia, cantada brilhantemente pelo Daniel Jobim, depois tem As praias desertas, cantada pela Nana Caymmi, depois tem o clássico Anos dourados, cantado pelo Dori Caymmi, depois tem Outra vez, cantada pela Nana, depois tem o clássico Desafinado, com introdução feita por Ronaldo Boscoli, cantado pelo Paulo Jobim, depois tem a raríssima Esperança perdida, do Tom e do Billy blanco, cantada pela Nana, a Nana inclusive falou que a mãe dela Stella não conhecia a música e ela brincou que o Tom tinha psicografado a letra lá do céu, depois tem o clássico Eu sei que vou te amar, cantado pelo Danilo Caymmi, depois tem Só em teus braços, cantada pela Nana, depois tem a raríssima Pra não sofrer velho riacho, cantado pelo Paulo e pelo Dori, depois tem o clássico Falando de amor, cantado pela Nana e pelo Danilo, depois tem a sempre maravilhosa Corcovado, cantada pelo Daniel, depois tem a rara Esquecendo você, cantada pela Nana Caymmi, depois tem a inédita Canção para Michelle, letra feita pelo Ronaldo Bastos para a música Chanson pour Michelle, tirada do disco O TEMPO E O VENTO, cantada também pela Nana e finalizando o disco a maravilhosa Piano na Mangueira cantada pelos cinco: Nana, Danilo, Dori, Paulo e Daniel.

Sábado, 21 de Junho de 2008

7 - A Bossa hoje - 6ª parte



6ª parte

No inicío de 2004, finalmente chega ao Brasil o disco da Joyce A BANDA MALUCA, gravado pela Farout Recordings, o disco chegou ao Brasil graças a maravilhosa Biscoito Fino. O disco é extraordinário e mostra aos ingleses que o Brasil tem outras coisas maravilhosas, além da Bossa Nova. As músicas do disco são: a sensacional Banda maluca, onde ela fala do samba globalizado, o xote de Chuvisco, a surprendente e psicodélica Os medos, onde aparecem várias vozes faladas em inglês, alemão, japonês, espanhol, francês e português, a bossa zen de Na paz, a também psicodélica Samba do Joyce, em homenagem ao escritor James Joyce, o forró de For Hall, a francesa L`étang, o forró eletrônico de Galope, uma versão voz e violão espetacular de A hard day`s night dos Beatles, Cartomante, Mal em Paris, Pause bitte, Tufão, com direito a uma citação de O mar de Dorival Caymmi e na faixa bônus mais uma versão sensacional de A hard day`s night.

Também no início de 2004, sai finalmente o mais novo disco de João Gilberto, o nome do disco é JOÃO GILBERTO IN TOKIO, gravado ao vivo no Japão, é mais um disco ao vivo de João Gilberto onde ele grava as mesmas músicas de sempre? Mais ou menos, tem várias músicas que ele já gravou muitas vezes, há outras que ele não gravava faz tempo e até algumas músicas que ele nunca gravou (!), as músicas do disco são: Acontece que eu só baiano, de Dorival Caymmi, que ele nunca tinha gravado, a clássica Meditação, Doralice, que tinha tempo que ele não gravava, Corcovado, mais uma vez, Este seu olhar, outra que tinha tempo que não gravava, Isto aqui o que é, também gravada muitas vezes, a sempre emocionalmente Wave, a engraçada Pra que discutir com madame, Lígia, que também tinha tempo que não gravava, a rarísssima Louco, que ele nunca tinha gravado, de Wilson Batista, Bolinha de papel, que também tinha muito tempo que não gravava, Rosa morena, mais uma vez, a extraordinária Adeus América, que também tinha tempo que não gravava, Preconceito e Aos pés da cruz. Apesar de ter várias músicas famosas e dele gravar pela milésima vez, para os japoneses isso não importa, tanto que quando acabou o show, eles aplaudiram "O Mito" João Gilberto, por exatos 25 minutos. Recorde mundial da história da música. Muita gente aqui no Brasil não gosta que o João cante as mesmas músicas, mas nos Estados Unidos ninguém reclamou do Frank Sinatra gravar Night and day e Fly me too the moon milhões de vezes. E tem gente que diz que os breganejos fazem sucesso no Japão, isso a grande mídia brasileira não fala.

No mês de Julho chega ao Brasil o disco mais esperado no ano na Europa: o cd da Bebel Gilberto, que tem o nome simplesmente de BEBEL GILBERTO. Depois do sucesso mundial do seu disco TANTO TEMPO, em 2000, no qual ela vendeu quase 1 milhão de cópias no mundo todo, ela volta e trás um novo disco tão maravilhoso quanto o anterior. Nesse cd ela privilegia mais ainda a sua porção lounge music e também quase todas as músicas são de composições dela. O cd começa logo com uma versão bem Bossa Nova em inglês de Baby, do Caetano Veloso, que virou clássico na Europa graças a versão dos Mutantes, depois tem Simplesmente, uma bela canção dela, feita um pouco em inglês e um pouco em português, depois tem Aganju, uma música feita pelo marido da prima dela: Carlinhos Brown, com a mãe nos backing vocal, depois tem a belíssima All around, toda em inglês, a Bebel falou que essa foi a melhor musica que ela compôs, depois tem River song, também dela, apesar do nome ela é toda feita em português, depois tem a canção Every day you`ve been away, toda em inglês, feita por encomenda pelo Pedro Baby, filho da Baby do Brasil e o Daniel Jobim, neto do Tom, depois tem Cada beijo, dela também, que ela canta de uma maneira bem sensual, depois tem O caminho, também dela, com o lendário João Donato no piano, ele que é o melhor amigo do pai dela, depois tem Winter, feita em inglês também dela, apesar do nome tem um clima bem de verão, depois tem Céu distante, feita em português também dela, depois tem Jabuticaba, toda feita em inglês também dela, relembrando os tempos de quando ela criança e visitava a casa da avó que tinha um pé de jabuticaba, aliás o disco foi dedicado a ela e no final tem a música Next to you, também dela e em inglês. O cd foi produzido pelo francês Marius de Vries, empresário de Madonna, aliás, foi ela que o indicou para Bebel. O cd é mais uma prova que aquela menina na década de 80 que começou cantando sem sucesso, que só era conhecida por ser filha do João Gilberto e da Miúcha e sobrinha do Chico Buarque, que depois virou a melhor amiga do Cazuza, cresceu e se transformou na maior estrela da música brasileira da atualidade no mundo e está cantando e compondo cada vez melhor, isso sem contar que virou um mulherão.

O ano de 2004, também foi para lembrar dos 70 anos de João Donato, um dos maiores mestres da música brasileira em todos os tempos. Nesse ano saiu dois discos maravilhosos para homenageá-lo.

O primeiro deles é WANDA SÁ COM JOÃO DONATO, uma das maiores musas da Bossa Nova, fazendo um disco fantástico com o mestre João Donato, nem todas as músicas do cd são dele mais a maioria foi ele que compôs. As músicas do disco são: a sensacional Minha saudade, parceria rara com o amigo João Gilberto, Não tem nada não, um medley que mistura Perdido, música dele e Samba torto, de Tom Jobim e Aloísio Oliveira, nada mais natural, pois o Tom falou mais de uma vez o Donato foi um de seus maiores mestres, tem também Falta de ar, Cartão de visita, There will never be another you, Receita de samba, a explendorosa Sambou, sambou, dele com a Joyce, O que é amar, do Johnny Alf, outro grande nome que foi influenciado pelo Donato, a clássica A rã, But not for me, Daquele amor nem me fale, É com esse que eu vou e Quem diz que sabe.

O segundo deles é o belíssimo disco EMILIO SANTIAGO ENCONTRA JOÃO DONATO, um disco mais que esperado pois Emilio Santiago sempre gravou músicas do Donato, e ele o considera um dos seus compositores favoritos. Esse disco que tem participação do próprio Donato no piano. O Emílio decidiu gravar só músicas que ele ainda não tinha gravado, as músicas do disco são: Vento no canavial, a espetacular E vamos lá, em parceria com a Joyce, E muito mais, Nunca mais, as belas Então que tal e Até quem sabe, Sambolero, Everyday, Os caminhos, Pelo avesso, a também bela Mentiras, Surpresa, Clorofila do sol e a sempre emocionante A paz. Sem sombra de dúvida esse foi o ano de João Donato.

Também em 2004, sai o disco CHILL:BRAZIL 3, depois do sucesso dos dois primeiros discos que tiveram músicas selecionadas por Marcos Valle e Joyce, respectivamente. Agora nesse terceiro volume as músicas foram selecionadas por ninguém menos que o ministro da Cultura: Gilberto Gil. O cd, assim como os dois primeiros, são duplos. As músicas do disco são:

Cd 1 – Só tinha de ser com você, com Tom Jobim, Zíngaro, com João Gilberto, Slow motion bossa nova, com Celso Fonseca, Lá vem a baiana, com Jussara Oliveira, Cara valente, com Maria Rita, Você já foi a Bahia, com Nana, Dori e Danilo Caymmi, Circo Marimbondo, com Chico Buarque e Mestre Marçal, Princesa, com Jorge Ben Jor, Teco Teco, com Gal Costa, Cada macaco no seu galho, com Caetano Veloso e Gilberto Gil, Preciso, com Margareth Menezes, Amor meu grande amor, com Barão Vermelho, De repente Califórnia, com Lulu Santos, A Novidade, com Paralamas do Sucesso, Preciso dizer que te amo, com Leo Jaime,
Não me deixe só, com Vanessa da Mata, Refazenda, com Marcelinho da Lua e Rio de Janeiro, com Elza Soares.

Cd 2 – Sampa, com Gilberto Gil, Caminhos Cruzados, com João Gilberto, Só vendo que beleza, com Elis Regina, A Rita, com Chico Buarque, Canto de Ossanha, com Baden Powell, Tudo de bom, com Fernanda Porto, Mais feliz, com Bebel Gilberto, Só deixo meu coração na mão de quem pode, Vestido Vermelho, com a Preta Gil, Socorro, com Arnaldo Antunes, Busca a vida, com Renata Arruda, Se eu não te amasse tanto assim, com Ivete Sangalo, Devolva-me, com Adriana Calcanhoto, Sozinha, com Sandra de Sá, Estácio Holly Estácio, com Luiz Melodia, Navilouca, com Pedro Luis e a Parede, Segredos, com Frejat e Go Back Remix , com Titãs.

Ainda em 2004, sai a belíssima coletânea dupla ANTOLOGIA, do Marcos Valle, onde mostra as músicas em versões orginais que Marcos Valle fez para os discos da Odeon, de 1963 a 1974. Essa coletânea mostra além dos grandes sucessos, de um dos maiores nomes da música mundial na atualidade, várias raridades.

As músicas do disco são:

Cd 1 – Amor de nada, E vem o sol, Tudo de você, Razão de amor, a de sempre Samba de verão, A resposta, Gente, Não pode ser, Preciso aprender a ser só, Viola enluarada, num dueto espetacular com Milton Nascimento, Próton Elétron Nêutron, Bloco do eu sozinho (alguém lembrou aí de Los Hermanos?), uma interpretaçao maravilhosa de Terra de ninguém, num dueto com os Golden Boys (!), Ultimatun, Beijo sideral, Os dentes brancos do mundo, Samba de verão 2 e no final a sempre maravilhosa Mustang cor de sangue.

Cd2 – Batucada surgiu, a espetacular Os grilos, Quarentão simpático, Freio aerodinâmico, Com mais de 30, Que bandeira, Garra, a maravilhosa Black is beautiful, com um dueto com a desconhecida Marizinha, Wanda vidal, O beato, Malena, Revolução orgânica, Não tem nada não, Mentira, Nem paletó nem gravata, Casamento filhos e convenções, Nossa vida começa com a gente e no final Meu herói.

Ainda em 2004, saiu o cd MORENA BOSSA NOVA, da cantora Clara Moreno, mas quem é Clara Moreno? Vocês devem estar se perguntando. Clara Moreno é carioca da gema. Filha de dois artistas consagrados da música brasileira – a expetacular Joyce e o compositor e violonista Nelson Ângelo. Vem atuando na cena brasileira de música desde a década de 90, tendo lançado CLARA MORENO e MUTANTE os dois pela gravadora japonesa Avex e pelo selo brasileiro Cucamonga em parceria com a Avex, que também lançou este CD com remixes de DJs, entre eles: Ashley Beedle e Joe Claussell, obtendo com os mesmos, expressivas críticas da imprensa e apresentações aqui no Brasil e no exterior como o Bossa Getz Festival em Tóquio, e o Jazz Café em Londres.
MORENA BOSSA NOVA
marca o encontro de Clara com o produtor e músico Rodolfo Stroeter e com o selo Pau Brasil/ YB music. O CD apresenta um repertório que abrange composições de Joyce, Celso Fonseca, Rodolfo Stroeter, Gilberto Gil, Tom Jobim e Henry Salvador. Em MORENA BOSSA NOVA o ecletismo musical de Clara se mescla com arranjos inéditos e a sonoridade do CD prima pela originalidade da criação destes. Interpretando duas canções inéditas da mãe Joyce: as maravilhosas Heavy Telecoteco e Morena Bossa Nova, além de regravar a explendorosa Aldeia de Ogum, também de Joyce, que virou um samba-house pra ninguém botar defeito. Clara passeia pelo samba, pela new bossa e pela música cantada sem palavras. Do compositor carioca Celso Fonseca, Clara recebeu uma composição inédita Outras Praias, além de regravar a já clássica Slow Motion Bossa Nova e a maravilhosa Samba é Tudo, do mesmo Celso Fonseca e de Ronaldo Bastos. Já as inéditas composições Eletromblé, Mercado da Mãe Preta, Kabrum
e Feiticeira, de Rodolfo Stroeter contribuem para a variação temática e rítmica do CD. Completando o repertório, a conhecida composição Ela, de Gilberto Gil, além de Solidão, uma rara música de Tom Jobim e o sucesso de Henry Salvador Dan Mon Ilê, com citação de Garota de Ipanema, recebem também arranjos diferenciados.A colaboração de Clara em MORENA BOSSA NOVA com alguns dos melhores músicos brasileiros da atualidade como Marcos Suzano, Joyce, Teco Cardoso, Robertinho Silva, Tutty Moreno, Nailor “Proveta”, Webster Santos, Celso Fonseca, Rodolfo Stroeter, Zé Pitoco – além da presença do tecladista norueguês Bugge Wesseltoff – eleva a condição de modernidade e de espontaneidade que permeia o CD. A bossa de Clara Moreno é carioca e cosmopolita, vai do Rio para o mundo em uma parabólica esperta. Sim, é bossa. Mas o tempo é outro, o clima é novo e o som é globalizado. Clara Moreno sabe disso. Saindo da Joyce, realmente não podia esperar coisa diferente, pra os saudosistas Clara é a primeira metade da música Clareana.

Também em 2004 sai a bela colêtanea RETRATOS – WILSON SIMONAL. Uma bela homenagem a um dos maiores cantores que o Brasil já teve. O disco começa com o clássico Lobo bobo, de Carlos Lyra, depois tem a bela e pouco lembrada Chuva, de Durval Ferreira e Pedro Camargo, depois tem Inútil paisagem, do Tom,.monstrando uma fase bem Bossa Nova e um pouco diferente da habitual do Wilson Simonal, onde se lembra da voz do grande Agostinho dos Santos, depois tem Lágrima flor, do Billy Blanco, depois tem a expetacular Sá Marina, uma das músicas mais famosas cantadas pelo Simonal, depois tem o “samba jovem” da desconhecida Juca bobão, de Del Loro, depois tem a primeira música de pilantragem de todos os tempos: Mamãe passou açúcar em mim, do Carlos Imperial, depois tem o clássico Tributo a Martin Luther King, do Simonal com Ronaldo Boscoli, o hino negro que ele dedicou ao filho dele Wilson Simoninha, depois tem a bela e desconhecida Meia volta (Ana Cristina), do Antonio Adolfo, depois tem Telefone, do Roberto Menescal, depois tem Balanço Zona Sul, do Tito Madi, depois tem Nanã, outro hino negro, do mestre Moacir Santos, que na voz do Simonal virou um clássico mundial, depois tem a belíssima Duas contas, do Garoto e finalizando esse belo cd a fenomenal Rapaz de bem, do Johnny Alf, a primeira Bossa Nova de todas.

O ano de 2004, também é o ano de relembrar os 10 anos da morte de Tom Jobim. A Som Livre lança o belo disco TOM JOBIM LOUNGE, produzido e remixado pelo Dj Grecco. Na verdade o cd é uma remixagem do OLHA QUE COISA MAIS LINDA, mas tirando algumas músicas. O cd, com certeza, é daqueles para se fazer caixa, mas como sempre gosto de dizer: é melhor fazer caixa com músicas que prestam de que fazer com músicas horríveis, como tem vários por aí. As músicas do disco são: Corcovado, com Daniela Mercury, Garota de Ipanema, com Simone, Luiza, com Carlinhos Brown, How Insensitive, com Paulo Ricardo, Eu sei que vou te amar, com Paulinho Moska, Lígia, com Orquestra Som Livre, Samba do avião, com o MPB-4, a única do disco que não estava no cd OLHA QUE COISA MAIS LINDA, A Felicidade, com Martinho da Vila, Wave, com Lenine, Triste, com Zé Renato, Desafinado, com Quarteto em CY, Águas de Março, com João Bosco, Sem você, com Leila Pinheiro e O amor em paz, com Ivan Lins.

O ano de 2004 lembrou os 30 anos de um dos maiores discos de todos os tempos: ELIS & TOM. E essa data não podia ser esquecida, a Trama, do João Marcelo Boscoli, filho da Elis e a Universal, dona dos direitos do disco se juntaram e chamaram César Camargo Mariano, na época marido da Elis e produtor do disco, para remixar, no caso mixar de novo. ELIS & TOM foi remixado no Estúdios Trama pelo engenheiro Luis Paulo Serafim sob a supervisão de Cesar Camargo Mariano, a partir dos masters originais de 8 canais das sessões de gravação - realizadas na Califórnia, nos Estúdios da MGM, em março de 1974.

Para ficar o mais fiel possível ao disco original, César chamou o mesmo que mixou o disco e colocou todos os instrumentos na mesma ordem do lp original. Ele fez além, fez com que 30 anos depois pudessémos ouvir as conversas impagáveis do Tom e da Elis, além até da respiração da Elis enquanto cantava, tudo isso em formato de DVD – Aúdio, que fez com que a qualidade sonora ficasse muito melhor do que a de um cd normal. Além dos clássicos do disco que são: Águas de Março, Pois é, Só tinha de ser com você, Modinha, Triste, Corcovado, O que tinha de ser, Retrato em branco e preto, Brigas nunca mais, Por toda a minha vida, Fotografia, Soneto de separação, Chovendo na roseira e Inútil paisagem. O DVD – Aúdio tem duas faixas bonus: uma outra versão de Fotografia e Bonita, música que Elis não quis colocar no disco, pois não gostou do seu sotaque em inglês, além de tudo ela era modesta (!). A caixa vem o DVD – Aúdio e um cd normal. Nunca “Elis & Tom” soou tão bem, mantendo fidelidade ao trabalho original e só oferecendo como diferencial a QUALIDADE do áudio - preservado da melhor forma para as futuras gerações.

Em 2004, finalmente saiu o mais novo disco do Bossacucanova: UMA BATIDA DIFERENTE. Como nos dois discos anteriores o cd tem várias participações especialissímas. Como no BRASILIDADE, eles tocam todas músicas, mas ao contrário do anterior, em que quase todas as músicas são instrumentais, nesse disco todas são cantadas. As músicas desse belíssimo cd são: a inédita Bom dia Rio, cantada pelo Roberto Menescal e a Cris Dellano, parceria do BCN e do Nelson Motta, uma delícia de bossa lounge, com um sampler de uma entrevista do Menescal de 1968, depois tem O samba da minha terra, clássico de Dorival Caymmi, cantada pela banda holandesa (!) Zuco 103, depois tem Essa moça tá diferente, do Chico Buarque, cantada brilhantemente pelo Wilson Simoninha, depois tem a inédita Previsão, parceria da Adriana Calcanhoto com o BCN, cantada pela própria Adriana e com Léo Gandelmann no sax, depois tem Eu quero um samba, do Haroldo Barbosa, que ficou famosa pelo João Gilberto, cantada pela Cris Dellano, com o grande Bebeto no violão, depois tem a inédita Just a samba, parceria do Celso Fonseca, com a BCN, cantada pelo próprio Celso Fonseca, depois tem a também inédita Queria, feita em parceria do BCN com ninguém menos que o maior mestre dessa Nova Bossa Nova: Marcos Valle, cantada pelo próprio Marcos, depois tem a clássica Waters of March, cantada pela Cris Dellano, depois tem Bonita, também do Tom, com o Roberto Menescal no violão, que foi transformada num delicioso samba-house, depois tem a maravilhosa Feitinha pro poeta, do mestre Baden Powell, feita por encomenda a Vinícius de Moraes, cantada pelo Menescal, depois tem Onde anda meu amor, do Orlan Divo, cantada pela Cris Dellano e pelo próprio Orlan Divo, também com o Bebeto no violão e no final, Vai levando, do Caetano Veloso e do Chico Buarque, cantada pelos mestres do samba-rock: Trio Mocotó. O cd conseguiu ficar ainda melhor que o excelente BRASILIDADE, com certeza o Bossacucanova veio pra ficar.

Também em 2004, saiu finalmente o disco do Marcos Valle CONTRASTS, que foi produzido por um DJ (Roc Hunter) e, inicialmente, foi lançado apenas na Europa e no Japão, pelo selo inglês Far Out. Agora, ganha lançamento nacional, via gravadora Trama. Se tem algum motivo de o Brasil ser hype na Europa atualmente, o compositor Marcos Valle e seus relançamentos que saíram nos anos 90 têm boa parcela de culpa disso. Ele foi responsável por influenciar muitos DJs a misturar MPB com eletrônico, principalmente drum'n'bass.

CONTRASTS deixa nítido em suas 11 faixas inéditas a principal marca de Marcos Valle: fortes melodias e sofisticação harmônica envolvidas em ritmos que sempre influenciaram suas composições como o samba, o baião e o funk. O violão é presença forte no álbum, fazendo o contraponto com sutis grooves eletrônicos, que ficaram por conta do DJ inglês Roc Hunter.
Além de produzir e fazer os arranjos de CONTRASTS, Marcos Valle canta, toca violão, piano acústico, Fender Rhodes, órgão Hammond, piano Wurlitzer, escaleta e teclados no álbum. O irmão e parceiro de sempre Paulo Sérgio Valle comparece com a deliciosa Água de Coco, que lembra a clássica Água de Beber, do Tom e do Vinícius e em Passatempo, um surpreedente baião, a excepcional cantora e compositora Joyce com Besteiras de Amor e na expetacular Valeu, (na qual também canta), que é a melhor faixa do disco e o letrista Ronaldo Bastos com Disfarça e Vem, a maravilhosa Nega do Balaio e My Nightingale, única música em inglês do disco, tem também Contrasts, faixa que dá nome ao trabalho, é um belo tema instrumental, o cd ainda tem o Tema do Tiago, mais uma música instrumental, a expetacular Parabéns (Dança do Daniel), essa música e a anterior são em homenagens aos seus filhos: Tiago e Daniel, a última música do disco é o baião-funk Que que tem. E como faixas-bônus foram incluídos no álbum três remixes de DJs europeus, que já eram tocadas em clubs antes mesmo do CD ser lançado por lá. As músicas remixadas foram: Valeu, remixada pelo 4 Hero, Parabéns (Dança do Daniel), remixada pelo Daz I-Kue e Bugz in the Attic e a última é Nega do Balaio, remixada pelo Buscemi`s Jungle Jazz. Esse cd é uma prova que Marcos Valle está cada vez mais integrado com a música eletrônica e cada vez melhor. Sem dúvida é o melhor disco que Marcos Valle fez pela Farout.

Ainda em 2004, pela Farout Recordings saíram duas coletâneas maravilhosas glorificando a música brasileira. A primeira é BRAZILIAN LOVE AFFAIR 5, é o 5º lançamento dessa série maravilhosa. As músicas do disco são: O sonho, com Democústico, A paz, com a Nina Miranda e Troblemann, Suspeita, com Os Ipanemas, Te querendo, com Azimuth, Estação Verão, com Sabrina Malheiros, Chuva, com Vertente, Galope, com a Joyce, Tarde em Itacuruca, com José Roberto Bertrani, Ida e volta, com Grupo Batuque, Água de coco, com Marcos Valle, Sob o mar, com Friends from Rio, Neon Dawn, com Viper Squad e Café Sem, com Mamound.

A 2ª coletânea é a também maravilhosa BRAZILICA, com algumas músicas brasileiras que fizeram sucesso e marcaram a história dos 10 anos da Farout, remixadas pelo dj Kenny Dop. As músicas do disco são: Sertão, com Os Ipanemas, Taruma, com Grupo Batuque, Fibra, com Paulo Moura, Escravos de Jó, Sob o mar e Zona Sul, as três com Friends from Rio, Ponteio, com Da Lata, Fundo falso, com Marcos Valle, Icaraí, com Os Ipanemas, Percussion breakdown, A sereia, com Democustico, Pregiciman, com Mamond, Água, com Nina e Crhis, Estação verão, com Sabrina Malheiros, Las luces del norte, com Los Ladrones, Without words, com Natures Plan, Vera cruz, com Friends from Rio, Torcida do Flamengo, com Grupo Batuque, Apaixonada por você, com Marcos Valle e Sunderley Samba, com Azimuth.

Também em 2004, sai o mais um disco do Marcelo D2: MARCELO D2 ACÚSTICO MTV, com músicas do seu primeiro disco solo que foi EU TIRO É ONDA, o seu segundo que foi A PROCURA DA BATIDA PERFEITA, mais duas músicas do Planet Hemp. Sai o cd e o DVD. As músicas do disco são: Vai vendo, a maravilhosa A maldição do samba, A procura da batida perfeita, Eu tive um sonho, 1967, com Canto de Osanha, como música incidental, Batidas e levadas, Contexto, com Bnegão, do Planet Hemp, com citação da maravilhosa Mentira, do Marcos Valle, o samba-jazz de Samba de primeira, com citação de Tim dom dom, Encontro com Nogueira, Profissão MC, Pilotando o bonde da excursão, Batucada, a expetacular Espancando o macaco, do João Donato, com o próprio no piano, a clássica Mantenha o respeito, do Planet Hemp, também com João Donato no piano, CB (Sangue Bom), com o americano Will I am, da banda Black Eyed Peas, Sessão, uma versão reggae de Lodeando, com o filho Stephan e a já clássica Qual é. Realmente é um dos melhos discos do ano e Marcelo D2 já pode se considerar um verdadeiro arquiteto da música brasileira.

Também em 2004, só que nos EUA sai o disco BOSSA CUBANA, com o grupo cubano Sexto sentido e “the king of Bossa Nova” João Donato, como saiu na capa. Esse disco reforça mais a idéia de que verdadeiramente foi João Donato que começou essa onda latina na música americana ainda nos anos 60. As músicas desse disco são: Bossa cubana, uma versão latin lover de The girl from Ipanema, Come together, The secret life of plants, Vento no canavial, Baby don’t cry, It`s probably me, Michelle, a clássica Bananeira, que ganhou o mundo graças a Bebel Gilberto, Jungle fever, Es nuestra cancion, Wait for me, Crazy, Lush life e Send one your love.

Em novembro pela gravadora Biscoito Fino sai o belíssimo disco inédito TOM JOBIM EM MINAS AO VIVO PIANO EM VOZ. Foi durante as águas de março de 1981 que o público presente no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, assistiu pela primeira vez, em 20 anos, a um recital de Antonio Carlos Jobim na capital mineira. Ainda tocado pela perda do poetinha Vinicius de Moraes, que morrera há menos de um ano, Tom recriou de maneira particularmente emocionada algo essencial de seu cancioneiro e homenageou seus principais parceiros de vida e música.
Só com o piano, Tom cantou, tocou e conversou, soberano das artes seja em que palácio for, como se estivesse na sala de visitas de sua própria casa – ou na sala de qualquer um de nós. São 18 músicas, duas com Newton Mendonça, duas com Dolores Duran, duas com Aloysio de Oliveira, uma com Chico Buarque, sete com Vinicius, quatro só de Tom. Era o segundo e último dia de apresentação do maestro em Belo Horizonte, a convite de uma fundação local.

De saída, Tom demonstrou que a noite seria mesmo confessional: “Não sou muito de fazer show. Quem me levou pra este negócio foi o Vinicius, o Toquinho, A Miúcha”. E prosseguiu: “É fácil fazer show escorado em músicos, parceiros, orquestra grande. (Desta vez) preferimos fazer uma coisa mais íntima porque a gente não pode ser aquele menino tímido pra sempre, né?”, gracejou o maestro, no plural, como se falasse também pelo piano, antes de dedicar o show aos parceiros, “que muito me ajudaram”.
O primeiro parceiro citado foi Newton Mendonça, em Desafinado e Samba de uma Nota Só, dois dos maiores standards internacionais da obra de Jobim. Sobre a primeira, contou o maestro que a princípio “ninguém quis gravar, os editores não queriam editar e nem João Gilberto quis nada com ela”. Em seguida, Jobim falou de “uma moça chamada Dolores Duran. Eu tava fazendo uma música com Vinicius. Fomos à rádio nacional e lá estava a Dolores. Toquei a música, ela tirou o lápis de sobrancelha da bolsinha, em cinco minutos escreveu a letra e botou assim: Vinicius, dois pontos. Outra letra é covardia”. Tom tocou Por Causa de Você, a obra prima tirada da caixa de maquiagem de Dolores Duran, e engatou outra parceria com Dolores, Estrada do Sol, a única de todo o concerto executada em versão instrumental. O início da parceria com Vinicius de Moraes já foi esmiuçado por diversos pesquisadores. Mas nada como ouvir contada por Tom. “Ele era diplomata e veio de Paris com a idéia de fazer uma peça de teatro chamada Orfeu da Conceição. Chegou no Rio e procurou um músico para compor com ele as músicas da peça”, disse, como quem confidencia ao ouvido de cada espectador. Confirmou que o primeiro a ser procurado por Vinicius foi o veterano Vadico que, adoentado, recusou a oferta. Até que se deu o mitológico encontro no Bar Vilarino, no centro do Rio, numa noite de 1956. “Lucio Rangel me apresentou ao Vinicius, que me levou ao grande mundo carioca, em casas com pianos de cauda e senhoras bem lavadas. Eu andava com uma pastinha cheia de arranjos, competindo com o aluguel. Perguntei: Escuta tem um dinheirinho nisso? Lucio ficou escandalizado: ô Tom Jobim, esse aí é o poeta Vinicius de Moraes. Eu digo, ah bom” recorda, sob a cumplicidade de risos radiantes. Tom mencionou “alguns sambas meio bobos jogados na lata do lixo, até que apareceu um samba bom”, e iniciou uma seqüência de tirar o fôlego: Se Todos Fossem Iguais a Você, Água de Beber, Eu não Existo sem Você, Modinha, Chega de Saudade. Dindi e Eu Preciso de Você representam a parceria com Aloysio de Oliveira. Depois de Aloysio, Tom falou de um certo “parceiro meu de olhos azuis, que dizem que são verdes, depende da luz do dia. O rapaz é um gênio, é craque mesmo, tipo Pelé, Garrincha”, situa, antes de proporcionar ao público uma apresentação magistral de Retrato em Branco e Preto. No piano, o contraponto dos graves, com as teclas agudas solando a melodia, deram a medida dos dias tristes e noites claras propostas pela letra de Chico Buarque de Hollanda.

Conhecedor das pedras do caminho, Jobim anunciou, por fim: “um rapaz aqui um tanto dispersivo. Meu parceiro também, um tal de Tom Jobim”. A introdução de Corcovado fez Belo Horizonte vislumbrar o Redentor de alguma janela do Palácio das Artes. Os olhos de LígiaFalando de Amor. No final, a enxurrada melódica e poética de Águas de Março e o bis de Garota de Ipanema. ANTONIO CARLOS JOBIM EM MINAS nos transforma em testemunhas auditivas e sensoriais de uma das mais felizes noites da história da música brasileira, isso 10 anos depois da morte do nosso maestro soberano, o Tom maior da música brasileira. abrangem versos pouco conhecidos antecipando o samba-choro

No final de 2004 a gravadora Dubas, de Ronaldo Bastos, deu um grande presente para quem gosta de um som moderno, pesado e suingado: o CD do raro primeiro LP do baterista Dom Um Romão, gravado no Rio no nunca demais celebrado (para a música instrumental) ano de 1964. E DOM UM (Dubas/Universal) traz, além de sua evidente exuberância musical, muita das características desse som brasileiro de 1964. Traz, em primeiro lugar, aquele lance de pratos inconfundível do estilo de Dom Um (e de Edison Machado) que, das sessões de jazz do Beco das Garrafas, tanto influenciaria os bateristas de samba, bossa nova e jazz brasileiro. É o vibrante “samba no prato” que caracteriza o som do Beco, do samba-jazz. Logo na primeira faixa, Telefone (de Roberto Menescal), e por todo o disco o estilo de Dom Um está íntegro, os pratos na frente, a marcação firme com o pé no bumbo e a baqueta “deitada” sobre o aro da caixa num balanço incrível.
Depois do estilo, o repertório é também tipicamente 1964. Convivem Bossa Nova (Telefone, Zona Sul, esta inspirada melodia de Luiz Henrique) e canção de protesto (o samba de morro, de Zé Ketti, Diz que fui por aí, e a nordestina Fica mal com Deus, de Geraldo Vandré); temas inspirados no candomblé, como Samba nagô, Consolação, de Baden Powell, e Birimbau (Capoeira), de João Mello e Codó, e um refinado standard como Vivo sonhando (de Tom Jobim), este aliás com arranjo de sopros originalíssimo de Waltel Branco, com solos vigorosos de Paulo Moura no sax soprano e do trombonista Edson Maciel “Maluco”; brincadeiras formais do sambalanço de Orlandivo, Jangal (parceria com o percussionista Rubens Bassini) e Zambezi (com Roberto Jorge), interessantíssimas para bateria; e complexos temas jazzísticos de Waltel Branco, África e Dom Um Sete, verdadeiros desafios técnicos.
Por fim, mais 64 impossível, há os músicos que acompanham Dom Um, comuns aos grandes discos de samba-jazz, achados nos Moacir Santos, Meirelles, Sérgio Mendes, etc. Como os trompetistas Pedro Paulo, Maurílio, Hamilton e Formiga; J.T. Meirelles e Jorginho nas flautas e sax altos; a seleção brasileira de tenoristas: Paulo Moura, Cipó (autor de dois arranjos), Zé Bodega (da Tabajara), Sandoval, Juarez e Bijou, e, curiosamente solando em Dom Um Sete, o chorão
K-Ximbinho; Bassini e Jorge Arena nas percussões e muitos outros grandes músicos da época, com destaque para o solo de sax barítono de Aurino Ferreira em Fica mal com Deus.
Idealizado e produzido por Armando Pitigliani — produtor que um ano antes lançara o igualmente seminal, e muito mais popular, SAMBA ESQUEMA NOVO, de Jorge Ben, também com Dom Um Romão na bateria — DOM UM carrega o espírito da época. Hoje sendo reverenciado pelos djs londrinos.

Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

7 - A Bossa Nova hoje - 5ª parte





5ª parte

Chegamos ao ano de 2003, enquanto o Brasil continua tendo vários ídolos instântaneos, o mundo, especialmente a Europa e o Japão continuam consumindo o que a música brasileira tem melhor para se apresentar. O mundo, incluindo o Brasil, vive uma crise que parece sem fim no mercado fonográfico, culpa principalmente por que o povo está se cansando de se ouvir porcaria, por isso aqui no Brasil acontecem vários relançamentos em cds de discos a muito tempo fora do catálogo, um exemplo disso são os discos da Odeon, agora EMI, que são relançados graças ao baterista do Titãs, Charles Gavin.

Enquanto isso se continua a lançar discos de Bossa Nova no mundo todo, sendo bossa eletrônica, ou não.

Um dos discos que saíram foi à belíssima coleção: BOSSA NOVA LOUNGE, com três cds com o melhor da Bossa Nova, com um toque de lounge music. No primeiro cd tem: Remember, Só tinha de ser com você, Summer samba, Vivo sonhando, Tristeza vai embora, Lost in paradise, Coisa Nº 1, Você, Garota de Ipanema, Mas que nada, Know it all, Muito a vontade, Ela é carioca e Look to the sky. No segundo cd tem: Solo, Oba-lá-lá, Minha saudade, Água de beber, Corcovado, Moça flor, Tristeza de nós dois, Você e eu, Surfboard, Só danço samba, Ansiedade, Jucabobão, Samba de uma nota só e Samba do Avião. E no terceiro cd tem: Jodel, Dreamer, Desafinado, Anoiteceu, Menina flor, Ilusão à toa, Tânia, Noite só, Faithful brother, Coração vagabundo, Bonita, Slow motion bossa nova, Amor em paz, Catavento, Triste e Eu e o crepúsculo.

Em 2003, tem mais um disco espetacular Joyce, chamado BOSSA DUETS, lançado primeiramente no Japão e depois para os outros países. Onde a Joyce comemora seus 35 anos de carreira ao lado de alguns grandes nomes da música brasileira. As músicas desse disco espetacular são: a clássica Você e eu, com citação de Águas de Março, cantada brilhantemente pela Joyce e o Toninho Horta, a belíssima Lugar comum, onde a Joyce canta com o sempre sensacional João Donato, Receita de Samba, da Joyce e do Paulo Cesar Pinheiro, onde ela canta com a filha Ana Martins, que faz sucesso como cantora no Japão, Plexus, cantada ao lado do Johnny Alf com citação de Rapaz de bem, Yarabela, cantada ao lado do Toninho Horta, Criança, também da Joyce, cantada ao lado da Wanda Sá, o manifesto da new bossa London samba, uma música instrumental dela, onde toca ao lado do Toninho Horta, a maravilhosa O sapo, também com João Donato, a deliciosa Fã da Bahia, música da Joyce cantada ao lado da Wanda Sá com citação de Na baixa do sapateiro e Samba da benção, a também maravilhosa Céu e mar, com Johnny Alf e a expetacular E vamos lá, da Joyce e do João Donato, junto com os dois está Ana Martins, filha da Joyce. Sem sombra de dúvidas esse é o melhor cd que a Joyce, que é a maior cantora do Brasil na atualidade, lançou nos últimos anos. Ela está cantando e compondo cada vez melhor.

Também em 2003, tem um encontro memorável entre Marcos Valle e o argentino Victor Biglione, este encontro dos dois dá o espetacular disco LIVE IN MONTREAL, gravado ao vivo no Canadá, onde tem os maiores sucessos do Marcos e mais quatro músicas sensacionais de outros artistas. As músicas desse cd são a maravilhosa instrumental Azimuth, Preciso aprender a ser só, num clima bem jazzístico, a inevitável Samba de Verão, que já foi cantada até por Homer Simpson, a explendorosa Terra de ninguém, Gente, Minha voz virá do sol da América, a sempre espetacular Manhã de Carnaval, Frevo, do Egberto Gismonti, a maravilhosa Viola enluarada, Ao amigo Tom, a espetacular Os grilos, a música francesa What are you doing to rest up my life, Fé cega faca amolada, de Milton Nascimento, a também espetacular Mustang cor de sangue e no final a também maravilhosa Batucada surgiu.

Nesse ano de 2003, também sai o maravilhoso disco COPA BOSSA, pela gravadora Albatroz, que nada mais é do que o pessoal do Bossacucanova, mas que fizeram um disco com esse nome porque o pessoal da Crammed queria que saísse um disco igual à BRASILIDADE, mas o pessoal do Bossacucanova queria um disco igual ao primeiro disco, com vários sucessos da Bossa Nova remixados sem nenhum instrumento, aí acabaram chegando um acordo e lançaram esse disco no Brasil, com esse nome e vão lançar outro com o nome de Bossacucanova na Europa. As músicas desse disco são: Só tinha de ser com você, com Os Cariocas, com versão bem diferente da que ganhou o mundo na voz da Fernanda Porto e remixada pelo DJ Patife, a inevitavel Samba de verão, com o Marcos Valle, Canto de Osanha, com Leo Gandelmann, numa versão instrumental muito boa, a clássica A felicidade, com Cris Dellano, transformada num samba-house maravilhoso, a inédita e maravilhosa Copa, com Roberto Menescal e Wanda Sá, uma versão de arrepiar de Lobo bobo, com Carlos Lyra, Minha namorada, em versão instrumental, com Roberto Menescal, uma versão Lounge Music de Fotografia, com Cris Dellano, Você, com Leny Andrade, uma versão instrumental de Samba da benção, com Luis Carlos Vinhas, a bela música Our love is here to stay, composta pelos irmãos Gershwin com Cecilia Dale e no final a maravilhosa Na orelha do pandeiro, com Andrea Ciminelli, com direito a programação eletrônica do DJ Marcelinho da Lua.

Ainda em 2003, na Europa sai o belíssimo disco SAMPA NOVA, que é assim que os ingleses estão chamando esse movimento que saiu de São Paulo e está tomando o mundo, especialmente com os artistas da Trama. O cd é uma bela coletânea que tem as músicas: Sereia, cantada pelo falecido Suba, Desafio, pelo sempre criativo Tom Zé, Bob, a maravilhosa bossa psicodélica cantada pelo Otto e a Bebel Gilberto, Easy boom, pelo Drumagick, Catimbó, pela Cibelle, Do mote do doutor Charles Zambohead, da Nação Zumbi, The secrets of floating islands, do Dj Xerxes, a já clássica Sambassim, da Fernanda Porto, São Paulo fim do dia, com Jair Oliveira, O futuro pertence a jovem vanguarda, com Max de Castro, Tempo, com Bojo, Seja o que for, com Anvil FX, Bob, remixada por Edu K e Chamegá, cantada pelo Tom Zé.

Ainda em 2003, sai a belíssima coletânea A MÚSICA DE MARCOS VALLE E PAULO SÉRGIO VALLE, com as melhores músicas dessa dupla dinâmica, interpretadas por alguns dos melhores músicos da músia brasileira. As músicas do disco são: Samba de verão, cantada por Caetano Veloso, na já clássica gravação que foi tema da novela Laços de Família, uma interpretação antológica, que não podia deixar de ser, de Black is beautiful, cantada por ninguém menos que Elis Regina, a sempre emocionante Viola enluarada, interpretada por Jair Rodrigues, Capitão de indústria, cantada brilhantemente pelo Paralamas do Sucesso (!), Gente, cantada por Os Cariocas, O Cafona, cantada pelo MPB-4, Ao amigo Tom, pela Claudette Soares, o samba jazz Sonho de Maria, pelo Tamba Trio, Preciso aprender a ser só, pelo saudoso Tim Maia, a espetacular gravação de Terra de ninguém, cantada pela Elis Regina e Jair Rodrigues direto do Fino da Bossa, 26 anos de vida normal, cantada por Erasmo Carlos (!) num clima bem “samba jovem”, uma raríssima gravação instrumental de Seu encanto, tocada por Tom Jobim, Passa por mim, cantada pela sumida Márcia e no final uma interpretação fenomenal de Mustang cor de sangue, pelo Wilson Simonal.

Também em 2003, pela gravadora Universal, sai o maravilhoso disco PURE BRAZIL – THE GIRLS FROM IPANEMA, uma coletânea dupla só de maravilhosas cantoras brasileiras. As músicas dos discos são:

CD 1Dreamer, com Astrud Gilberto, Só tinha de ser com você, com a Elis Regina, Rapaz de bem, com Nara Leão, Vagamente, com Wanda Sá, Desafinado, com Gal Costa, Você e eu, com a Silvia Telles, Meditação, também com a Nara Leão, Alô alô taí Carmen Miranda, também com a Elis Regina, A rã, também com a Gal Costa, Tristeza de nós dois, também com a Wanda Sá, Olhou para mim, Samba da pergunta, com a Márcia, Lugar comum, com a Miúcha e Once I loved, também com a Astrud Gilberto.

CD 2So nice, com a Bebel Gilberto, um medley de Que maravilha, Chove chuva e Mas que nada, com a Leila Pinheiro, Monsieur Binot, com a Joyce, Lá vem a baiana, com Jussara Freire, Capim, com Zizi Possi, Garota de Ipanema, com Marina Lima, Na cadência do samba, com Cássia Eller, Na hora da sede, com Zélia Duncan, Meu guarda chuva, com Paula Lima, Fotografia, com Marilia Gabriela, Me liga, com Patricia Marx, Quando você me olha, Luciana Mello, Coisas do Brasil, também com Leila Pinheiro e Tanto tempo, com a Bebel Gilberto.

O que de melhor aconteceu neste ano de 2003, sem sombra de dúvidas foi o surgimento de uma cantora espetacular, que fez com que muitas pessoas se emocionassem: a maravilhosa Maria Rita Mariano, ela é filha do grande César Camargo Mariano e da inesquecível Elis Regina, além de se parecer muito fisicamente com a mãe, ela canta igualzinho, foi uma prova sensacional que aqui no Brasil ainda pode ser comercial e ter um enorme talento. O primeiro disco dela saiu pela gravadora major Warner Music, com um marketing bem forte da Rede Globo, essa mistura de enorme talento com um grande marketing, fez com que o disco dela vendesse quase 800 mil cópias.

Outra coisa maravilhosa de 2003 foi o disco do rapper Marcelo D2, com uma mistura sensacional de Rap com Samba e Bosssa Nova. Este disco se chamou A PROCURA DA BATIDA PERFEITA, e teve participação de gente do naipe de Dom Salvador e do mestre João Donato, o disco todo é uma maravilha, as músicas desse cd são: Pra prosteridade, A procura da batida perfeita, Vai vendo, o afrosamba de A maldição do samba, Profissão MC, CB sangue bom, Batidas e levadas, Lodeando, com seu filho Sthefan, Pilotando o bonde da excursão, Re-batucada e a sensacional Qual é, que ganhou o VMB, da MTV como melhor clipe do ano.

Também em 2003, apareceu o maravilhoso grupo Kaleidoscópio, mais um que investe na mistura de mpb com eletrônica que está dominando o mundo. Eles fizeram o belíssimo disco TEM QUE VALER. O grupo é um duo formado por Ramilson Maia nas picapes e a voz espetacular de Janaina Lima. As músicas desse disco são: Você me apareceu, a maravilhosa Tem que valer, que logo virou sucessso nacional, a clássica Madalena, do Ivan Lins, Meu sonho, Chega mais perto, a também clássica Flor de lís, do Djavan, Chuva, a clássica e sempre espetacular Tarde em Itapuã, do Toquinho e do Vinícius, Feliz de novo, Tô que tô, Lua, Frevo mulher, Paro para pensar, Tudo passa, Aqui e uma versão lounge de Tem que valer. Pena que o grupo só durou nesse disco.

Também em 2003, lá na Europa sai o sensacional disco CHILL BRAZIL 2, pela gravadora Warner Music, aproveitando o sucesso estrondoso do primeiro disco, no qual as músicas foram escolhidas pelo Marcos Valle. Já neste segundo disco, também duplo, as músicas foram escolhidas pela legendária Joyce.

As músicas desse disco são:

Cd 1 - Demorô, uma belíssima música inédita da Joyce, She`s a Carioca, com Tom Jobim, Triste, com João Gilberto, Ana Maria, com Milton Nascimento, Encontro das águas, com Jorge Vercilo, Tudo por acaso, com Tânia Maia, Mas não dá, com Sônia Rosa, Up up and away, com Osmar Milito, O lugar do nosso amor, com Gilberto Gil, Sidarta, com Johnny Alf, Tamborim, cuíca, ganzá, berimbau, com Azimuth, Balanço zona sul, com Conjunto Som 4, Os grilos, com Marcos Valle, Mas que nada, com Zé Maria, Arrastão, com Zezinho, Bebete vão bora, com Pedroti, Sem complicação, com Ramatis, Algo sobre nós, com Tutti Moreno e Drum`n"bossa, com Insul.

Cd 2 - So Nice, com Bebel Gilberto, Samba De Uma Nota Só, com Tom Jobim, ´S Wonderful, com João Gilberto, Febril, com Gilberto Gil, Tem Que Valer (Eletro Bossa), com Kaleidoscópio, Minha Namorada, com Conjunto Som 4, Quem Te Viu, Quem Te Vê, com Sonia Rosa, Summer, com Os Camponêses, Céu Lilás, com Ramati, Raios Da Manhã, com Jorge Vercilo, Quem Vai Dizer Tchau?, com Tania Maya, Não Vá Ainda, com Zélia Duncan, Beleza E Canção, com Milton Nascimento, Maracatu Atômico, com Osmar Milito, Samba Do Avião, com Zé Maria,
Batucada, com Marcos Valle, Suite Norte, Sul, Leste, Oeste, com Hermeto Pascoal, Outro Lado, com Zuco 103 e Macumbalada, com Samba do Morro.

Também em 2003, pela Farout Recordings sai a coletânea BRAZILIAN LOVE AFFAIR 4, com o 4º volume dessa série maravilhosa. As músicas do cd são: E o meu amor vi passar, com a Patricia Marx e João Parahyba, Papa, com Azimuth e Sabrina Malheiros, Na batida do agogô, com Grupo Batuque, Falso amor, com Jair Oliveira, Todos os santos, com a Joyce, A sereia, com Democustico, Beleza não vai embora, com Orlan Divo, Fibra, com Paulo Moura, Escape, com Marcos Valle, Nature Plans, com Ed Motta e remix do 4 Hero, Rede de espera, com Azimuth, Os óculos escuros de Cartola, com Max de Castro, Preguiciman, com Mamond e Vera cruz, com Vox Populli.

Ainda em 2003, sai o explendoroso disco duplo JOBIM SINFÔNICO, pela gravadora Biscoito Fino, com as músicas de Tom Jobim, interpretadas pela Orquestra Sinfônica de São Paulo. Este projeto foi idealizado pelo Mario Adnet e pelo Paulo Jobim, filho do Tom. Todos os arranjos originais foram mantidos, na medida do possível.

No primeiro cd tem as músicas: O planalto deserto, O homem, A chegada dos candangos, O trabalho e a construção, estas quatros músicas fazem parte da Sinfonia da Alvorada, a inédita Prelúdio, a maravilhosa Overture do Orfeu da Conceição, a quase inédita Macumba, Modinha, a clássica Se todos fossem iguais a você, cantada pelo Milton Nascimento, a também clássica A felicidade, a também inédita Lenda, que Tom fez para seu pai e Imagina.

No segundo cd tem as músicas: Saudade do Brasil, Matita Perê, também cantada pelo Milton Nascimento, Canta canta mais, Trem para Cordisburgo, Chora coração, Milagre e palhaços, O jardim abandonado, essas quatro últimas da Crônica da casa assassinada, a raríssima Bangzália, cujos arranjos originas feitos pelo Dori Caymmi foram perdidos não se sabe se foi pelo Tempo ou pelo Vento, Meu amigo Radamés, Gabriela e a inevitável Garota de Ipanema, com arranjos mais do que espetaculares de Eumir Deodato.

No mesmo ano sai pela gravadora Som Livre o expetacular disco VINÍCIUS 90 ANOS, pra comemorar os 90 anos do nascimento do poetinha Vinícius de Moraes. O disco é uma coletânea dupla que foi produzido por ninguém menos que Gilda Mattoso, última mulher de Vinícius. O disco vem acompanhado de um livro com as letras das músicas, vários depoimentos e várias fotos sobre o Vinícius. As músicas desse histórico cd são:

CD 1 – Onde anda você, com Vinícius cantando e Toquinho no violão, tem o poema O haver, com o próprio Vinícius declamando acompanhado por Edu Lobo no violão, depois tem a sempre emocionante Marcha da quarta-feira de cinzas, cantada pelo Toquinho e pelo Vinícius, depois tem um Depoimento de Chico Buarque sobre Vinícius de Moraes, depois tem a eterna Tarde em Itapuã, cantada pelo Toquinho e Vinícius, depois tem o poema A um passarinho, declamado pela Luciana de Moraes, filha do Vinícius, depois tem Garota de Ipanema, com Tom e Vinícius do álbum ao vivo que eles fizeram no Canecão em 77, depois tem o Depoimento de Calazans Neto, também relembrando Vinícius, depois tem o afrosamba Samba da Benção, com o próprio Vinícius de Moraes cantando e se declarando “o branco mais preto do Brasil”, depois tem o Depoimento de Tom Jobim, relembrando sua parceria e amizade com Vinícius, depois tem Cotidiano n.º 2, com Toquinho e Vinícius, depois tem o Depoimento de Carlos Drummond de Andrade, também se lembrando o Vinícius e no final tem a rara Gilda, do Vinícius e do Toquinho, que acabou sendo a última gravação que Vinícius fez, sendo uma homenagem a Gilda Mattoso.

CD2 – Tem o clássico Pela luz dos olhos teus, cantada pelo Tom e pela Miúcha, depois tem O que tinha de ser, cantada pela Maria Bethânia, depois tem a também clássica Insensatez, cantada pela Alaíde Costa, depois tem a também clássica A felicidade, cantada pelo Agostinho dos Santos, depois tem Água de beber, cantada pela Mayza, depois tem Samba em prelúdio, cantada pelo Geraldo Vandré e pela Ana Lúcia, depois tem a bela Como dizia o poeta com Toquinho, Vinícius e Maria Medalha, depois tem uma raridade, Vinícius cantando uma música em inglês com Toquinho no violão: Nature Boy, de Éden e Ahbez, que Vinícius falou que viu nascer em Los Angeles, depois têm Dora, música de Dorival Caymmi, cantada pelo Toquinho e pelo Vinícius, depois tem Janúaria, do Chico Buarque, também cantada pelo Toquinho e Vinícius, depois tem Toquinho e Vinícius cantando a maravilhosa Tristeza, uma clássica Marchinha de carnaval feita pelo Haroldo Lobo e o Miltinho e no final tem um encontro maravilhoso de Toquinho, Vinícius e o sambista Cyro Monteiro cantando o samba Você errou, do mestre Cyro Monteiro.

Também no mesmo ano saiu outro disco pra homenagear os 90 anos do nascimento do grande Vinícius de Moraes: o belo MIÚCHA CANTA VINÍCIUS & VINÍCIUS MÚSICA E LETRA, pela gravadora Biscoito Fino. Festa, sinônimo de bebida, belisquetes, boa conversa e boa música, era com Vinicius de Moraes. O endereço da farra foi sempre o próprio poeta, que, onde baixava, tratava de descontrair o ambiente apenas para deixá-lo mais à sua feição. A cantora Miúcha acompanhou o fenômeno de perto. Cresceu ouvindo e vendo Vinicius, a cada visita, alegrando a casa dos pais dela, Maria Amélia e Sérgio Buarque de Hollanda. Com o amigo do pai aprendeu a tocar violão – agradecida, deu ao seu instrumento o nome de Vinicius. Definitivamente fisgada pela música, Miúcha viria a fazer, em 1977, com Vinicius, Toquinho e Tom Jobim, um show histórico que botou gente pelo ladrão no Canecão antes de ganhar a Europa. Essas e outras boas lembranças e lições do Poetinha, além de 14 músicas dele, duas inéditas, estão concentradas neste CD maravilhoso. As músicas do disco são: Tomara abre o disco com Miúcha e a filha Bebel Gilberto dividindo os vocais. Em torno das duas, os sopros suaves, o violão de João Lyra, a bateria de Carlos Bala à moda do tempo de Beco das Garrafas, sem nenhum ranço de nostalgia.. Mais grave, a segunda faixa do disco, Ai Quem me Dera, de que Miúcha dá conta sozinha, ganhou arranjos de violino. O tom, romântico e sem a afobação dos dias de hoje, continua com Saudades do Brasil em Portugal. Mais tranqüila, mas não menos emocionante, foi a gravação de Medo de Amar, que Miúcha divide com o irmão Chico Buarque. A emoção, afinal se está tratando aqui do poeta do amor, é mais contida em Serenata do Adeus, que Miúcha divide apenas com Leandro Braga ao piano. Brilhou aqui o esquema olhos nos olhos, com a cantora acompanhada por um instrumentista e arranjador que sabe o que faz, sem, por isso, esquecer do sentimento. A receita funcionou também em Valsa de Eurídice, que Miúcha gravou mais uma vez olhos nos olhos, acompanhada pelo violão surpreendentemente contido e reverente, do prodígio gaúcho Yamandú Costa, o disco também tem Teleco Teco, que o poeta compôs pensando no balanço de Ciro Monteiro, traz Miúcha se divertindo ao lado de Zeca Pagodinho, herdeiro legítimo da linhagem de Ciro e Jorge Veiga. A grande surpresa é Georgiana, canção inédita que Vinicius fez para o nascimento da filha. Os versos divertidos, em inglês, ganharam acento country com a gaita de Milton Guedes e os violões de João Lyra, também tem Tempo Será, a canção seguinte o Brasil andou ouvindo por meses a fio, na hora da novela Mulheres Apaixonadas, mas, mérito de Vinicius, é o tipo da música à prova do tempo e das repetições. A deliciosa e conhecidíssima Pela Luz dos Olhos Teus é repartida por Miúcha e Daniel Jobim, neto do maestro Tom, com quem ela gravou a canção em seu primeiro disco, de 1977. Miúcha e Daniel registraram a canção nos mesmos estúdio e piano e com o mesmo técnico de gravação, o veterano Mario Jorge, que deram à luz a versão dela e de Tom Jobim. Você vai ouvir, ainda, a paixão rasgada de Encontro à Tarde, o encontro de Miúcha e Toquinho, o mais terno dos parceiros do poeta, em Canção de Nós Dois e a finíssima Cem por Cento, o bota-fora fica por conta do frevo Quem For Mulher que me Siga, a outra inédita do disco, que a cantora Cyva, do Quarteto em Cy, encontrou gravada em fita cassete pelo próprio Vinicius.

Também em 2003, sai a maravilhosa coletânea JOYCE – ESSENTIAL BRAZIL, com alguns clássicos da extraordinária cantora e compositora Joyce até o início da década de 90. As músicas desse disco são: a maravilhosa Clareana, a espetacular Feminina, a neo-hippie Monsieur Binout, Nada será como antes, de Milton Nascimento, Eternamente grávida, Muito prazer, Deixa, a maravilhosa O chinês e a bicicleta, Moreno, Banana, Mistérios, a eterna Wave, de Tom Jobim, Duas ou três coisas, com Ney Matogrosso, Tiro cruzado, Apesar de tudo e Capitão, dividindo os vocais com ninguém menos que Chico Buarque.

No final de 2003, pela Trama sai o maravilhoso cd TRAMA D&B SESSIONS, dos djs Patife e Mad Zoo. Eles deram um "upgrade" em algumas grandes músicas da Trama e o álbum ficou muito bom, apesar de parecer daqueles discos para se fazer caixa, mas se há por aí muitos discos bem piores que fazem sucesso e vendem bem, porque não fazer esse disco, só com ótimas músicas? As músicas desse disco são: Esfera, com a Rosy Aragão, Tudo de bom, sucesso da Fernanda Porto, que ficou ainda melhor que a original, Flor do futuro, com Claúdio Zoli, Todas as letras (sou teu nego), com Jair Oliveira, Mais um lamento, com Wilson Simoninha, a já bem combalida Noite do prazer, com Cláudio Zoli, Sem pensar, com Patricia Marx, a também já combalida Sambassim, com a Fernanda Porto, Vem ficar comigo, do Silvera, a maravilhosa música Amor errado, também com a Fernanda Porto e Demais pra esquecer, com a Patricia Marx.

No final de 2003, também sai o belíssimo disco TRANQUILO, o primeiro disco solo do Dj Marcelinho da Lua, do Bossacucanova. Convidado por Rafael Ramos, ele entrou no estúdio da Deckdisc e tirou tudo das mãos, ombros e cabeça. Só pra ver no que dava. Deu em TRANQUILO, seu primeiro disco solo. Um disco de DJ, que é bom para ouvir em casa também. Um disco de produtor, que faz bonito nas pistas de dança também. E assim nasceu TRANQUILO, um disco sem muito bla bla blá, como diz o título da música que abre os trabalhos, Sem bla bla blá tirado de um sampler de (empostar a voz, por favor) Alberto Roberto, o inesquecível personagem criado por Chico Anysio. A guitarra é cortesia de Pedro Sá. Outros personagens reais também bateram ponto no estúdio da Deckdisc. Seu Jorge botou a voz na versão drum and bass de Cotidiano, de Chico Buarque, que teve também participação do maestro Luiz Cláudio Ramos no violão, que acabou sendo a faixa do disco que fez mais sucesso, aqui no Brasil e na Europa. Bi Ribeiro (ele mesmo, do Paralamas) e Gustavo Black Alien (ex-Planet Hemp) fizeram a festa em Tranquilo, um cruzamento natural entre reggae e jungle/drum and bass. Mart´nália tocou pandeiro e cantou a clássica Refazenda, de Gilberto Gil. Roberto Menescal escreveu, arranjou e deu cores especiais a Pro Marcelinho tocar. Lembranças da viagem à Dinamarca geraram a música Cristiania´71, com a voz de Helen Calaça. A rappeira cubana Telmary Diaz, em turnê pelo Brasil com o grupo Rapeiros de Cuba, foi capturada e levada ao estúdio, onde gravou Que cosa fuera, com arquitetura musical assinada por Mauro Berman (ex-baixista do grupo carioca Coma). Gabriel Muzak emprestou a voz para a boemia reggae de Jornada (cuja letra faz uma sutil referência à trajetória dos integrantes do Dubom). João Donato deu o toque, e que toque, de latinidade a Lá fora. Que é uma mistura maravilhosa de dub e reggae. Sem dúvida nenhuma é melhor faixa do disco. Já o toque ecológico ficou por conta de letra de Da Lua. Repare só. Palafita sunrise virou uma espécie de samba dub, com metais sampleados e a lembrança do seminal grupo inglês The Specials surgindo no meio da fumaça. Saudade teve vocais de Gabriela Geluda e tablas do percussionista Siri. E, por fim, há o doce no final do arco íris: o balanço suave de Não pode fazer barulho, com discurso em favor do silêncio, em francês, feito pela musa de longa data, Nina Schipper. Aos poucos, o pitch vai sendo desacelerado e, num simbólico apagar das luzes, após tirar suas idéias legais, malucas, engraçadas e impossíveis das mãos, ombros e cabeça, Da Lua simplesmente sussurra: “Valeu brou, até mais.” Com esse disco Marcelinho da Lua, conseguiu o que muita gente não acreditava, conseguiu fazer com que o Roberto Menescal composse uma house e fez o João Donato tocar um Dub, uma deliciosa loucura.

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

7 - A Bossa Nova hoje - 4ª parte








4ª parte

Estamos no ano de 2002, o ano que a Bossa Nova comemora os 40 anos do histórico show no Carnegie Hall, em Nova York. A boa música brasileira continua fazendo enorme sucesso especialmente na Europa e Japão. Aqui no Brasil o chamado funk carioca que andava em baixa, voltou, graças ao Mc Serginho e a Lacraia, uma das coisas mais ridículas que apareceu no Brasil em todos os tempos. Também aqui no Brasil surgem outros fenômenos passageiros como Kelly Key e o Rouge, mas no meio disso tudo apareceram bons nomes como de Jorge Vercilio e o maior fenômeno da música brasileira daquele ano: Os Tribalistas, grupo formado pela Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Bown, que acaba virando uma mania nacional. No quesito de Bossa Nova, foi outro ano de vários discos sensacionais feitos no mundo todo.

Um deles é a belíssima coletânea dupla A ONDA QUE SE ERGUEU NO MAR, organizada pelo fenomenal escritor Ruy Castro, que escreveu um livro de mesmo nome.

As músicas do disco são:

Disco 1 - Wave, com Os Cariocas, Two Kites, com Mario Adnet, Jangal, com Dom um Romão, Eu gosto mais do Rio, com Nara Leão, Domingo azul, com Billy Blanco, Esse seu olhar/Só em teus braços, com a Sílvia Telles e Lúcio Alves, Tem dó, com Rio 65 Trio, Tristeza de nós dois, com Emílio Santiago, E nada mais, com Os gatos, Ela é carioca, com Quarteto Jobim Morelembaun, Danielle, com o Tamba Trio, Astronauta, com Cyro Monteiro, Surfboard, com Roberto Menescal e Canção que morre no ar, com a Sílvia Telles.

Disco 2 - Os grilos, com o Marcos Valle, Captain bacardi, com Tom Jobim, Você, com Dick Farney e a Norma Bengel, Pois é, com a Nara Leão, Lindúria, com o Ed Motta, Que besteira, com João Donato, Tema para quatro, com Os cariocas, Tim Dom Dom, com Jorge Ben, Aquarela do Brasil, com a Ithamara Koorax e o Eumir Deodato, Coisa nº 8, com Moacir Santos, Ledusha com diamantes, com Ronaldo Bastos e Celso Fonseca, Maria ninguém, com Brigitte Bardot(!), Samba de verão, com o Marcos Valle e a Patrícia Marx e Bananeira, com a Bebel Gilberto.

Na contracapa do cd Ruy Castro diz:

A Bossa Nova dá, de novo, à praia

Vou te contar: a onda que se ergueu no mar foi a Bossa Nova. Das areias de Ipanema e das águas de Cabo Frio, a música que, por volta de 1958, um punhado de rapazes e moças estava fazendo por amor, chegou às pequenas boates de Copacabana. E ali, ao Brasil, a Nova York e ao mundo. Até 1967, essa música foi adotada por uma infinade de artistas – de Brigitte Bardot a Frank Sinatra – influenciou o jazz e a música internacional e definiu o gosto e o caráter de uma geração. Era inevitável que, um dia, intérpretes e autores como João Gilberto, Vinícius de Moraes, Carlos Lyra, Robetrto Menescal, Sylvia Telles, Nara Leão, Os Cariocas, o Tamba Trio, Baden Powell, Marcos Valle e João Donato tivessem de sair mais cedo da praia e tomar um avião. O planeta os solicitava. Mas vários fatores, inclusive extramusicais, fizeram com que, nos anos 70 e 80, o processo fosse interrompido e a Bossa Nova, quase silenciada. Não foram as décadas mais melodiosas do século, foram? Durante esse longo hiato, no entanto, um homem nunca acreditou que a Bossa Nova tivesse chegado ao fim do caminho: Antônio Carlos Jobim. Seu legado e o de seus colegas era rico demais para que a música abrisse mão dele. Tom continuou trabalhando e evoliundo – usando a Bossa Nova original como plataforma rítmica para a exploração de novos universos melódicos e harmônicos. Por causa dele, pode-se dizer que a Bossa Nova, de fato, nunca morreu. Hoje já não contamos com Tom, mas o processo foi retomado. Discos há muito esquecidos voltam a circular; os jovens descobrem, encantados, inúmeras canções que fazem juz à sua inteligência; velhos artistas gravam novos discos: e novos artistas surgem por toda parte, refundindo a Bossa Nova em padrões contemporâneos: Bebel Gilberto, Celso Fonseca, Mario Adnet, Ithamara Koorax, o Quarteto Jobim-Morekenbaum e, mais jovem do que nunca, João Donato. Todos eles, de ontem e de hoje, estão representados neste CD duplo – até mesmo Brigitte! Como as ondas, a Bossa Nova dá, de novo, à praia.

Com esse livro Ruy Castro fez uma continução do espetacular Chega de saudade, de 1990. É uma prova que a Bossa continua cada vez mais nova. Nesse livro ele conta as andanças de Tom Jobim pelo mundo, defendendo a ecologia e finalmente sendo reconhecido no Brasil, a nem sempre amistosa relação da musica brasileira com a americana, o verão de Brigitte Bardot no Brasil regado de Bossa Nova, a trágica história de Orlando Silva, as diferenças e as semelhanças de Dick Farney e Lúcio Alves, incrível desaparecimento de Tenório Jr, o fim e o retorno do Samba Jazz, as incríveis histórias de Johnny Alf e João Donato, os últimos momentos de Nara Leão e no final um perfil do João Gilberto em 1990 e em 2001. Realmente um livro imperdível.

Também em 2002, só que no Rio de Janeiro, sai o belíssimo disco CASA, de Jacques e a Paula Morelenbaun e o japonês Sakamoto, este disco foi feito na casa de Tom Jobim e é mais uma homenagem maravilhosa ao maestro, o cd tem participação de Paulo Jobim e Ed Motta. As músicas desse disco são: As praias desertas, O amor em paz, Vivo sonhando, Inútil paisagem, Sabiá, a raríssima Chanson pour Michelle, Bonita, Fotografia, Imagina, Estrada branca, O grande amor, Canção em modo menor, Tema para Ana, Derradeira Primavera, Esperança perdida, Sem você, Samba do avião e Improvisation, do Sakamoto e do Jacques Morenbaun.

Pela Europa, continua a sair discos de música brasileira. O primeiro deles é a coletânea BRAZILIAN LOVE AFFAIR VOL. 3, com vários artistas. As músicas do disco são: Retratista, com Otto, Água, com Nina Miranda e Cris Dellano, Icaraí, com Os Ipanemas e Jorge Helder, Pra você lembrar, com Max de Castro, Disritmia, com Jairzinho Oliveira, Las luces del norte, com Los Ladrones, Laranjeiras, com Azimuth, Calados, com Luciana Mello, Samba de Sílvia, com Joyce e Elza Soares, Olha aí, com Jairzinho Oliveira, A nova estrela, com Gogo, Aquele gol, com Wilson Simoninha, Taruma, com Grupo Batuque, Escravos de Jó, com Célia Vaz e Da Lata e Dig It, com João Parahyba.

O segundo deles é PARTIDO NOVO, o novo disco do Azimuth. As músicas desse cd são: Em Marica, Partido novo, Tempo clássico, Rede de espera, Nome dele é Joan, Meu amigo, Duro de roer, Livre como um pássaro, Saudade do doutor, Questão de ética e Algodão doce.

O terceiro deles é a coletânea OFF THE SELF, com vários artistas. As músicas desse cd são: Khameleon, com Difusion, Colours, com Big Band, Brazil, com Democustico, Ponteio, com Da Lata, Elevator, com Flytronix, Smile, com 4 Hero, Strike hard, com Trouble man, Eyile, com Salidor, Faca de conta, com Azimuth, Banzo theme, com Banzo, Second future, com Difusion e Carambola, com Azimuth.

Também na Europa, só que pela Crammed, sai o sensacional disco JUVENTUDE/SLOW MOTION BOSSA NOVA, de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, que se juntaram para fazer um belíssimo disco no melhor estilo "bossa lounge". As músicas do disco são: a belíssima Samba é tudo, a maravilhosa Satélite bar, O que restou do nosso amor, versão em português do clássico Que Reste-t-il de nos Amours, que já foi gravada pelo João Gilberto, a explendorosa Slow motion Bossa Nova, Valeu, a bela Ledusha com diamantes, A voz do coração, Dylan em Madrid, Feito pra você, Miles ahead of time, O sorriso de Angkor, Meu carnaval, a belísissima La piu bella del mundo, com citação de A voz do morro clássico do Zé Kéti, e no final Juventude. Um disco sensacional, que fez com que Slow motion Bossa Nova virasse um clássico e criou polêmica com Max de Castro e com o pessoal da Trama por causa de um trecho da música Samba é tudo, onde fala que samba raro é um samba sem valor.

Nesse mesmo ano, também pela Crammed sai a belíssima coletânea THE NOW SOUND OF BRAZIL, com o melhor da música brasileira atual, na visão deles. As músicas desse belo cd são: Tantos desejos, do falecido Suba, remixada pela Nicola Conte, a belíssima Influência do Jazz, com o Bossacucanova remixando o canto de Carlos Lyra, depois tem Tanto Tempo, da mundialmente famosa Bebel Gilberto, remixada pelo Peter Kruder, depois tem Outro lado, da banda holandesa Zuco 103, remixada pelo Charles Webster, depois tem Segredo, também cantada pelo Suba, depois tem a extraordinária Guanabara, com Bossacucanova e Roberto Menescal, depois Dia de Yemanjá, com a maravilhosa cantora Cibelle, depois tem Bom sinal, com o grande Celso Fonseca, depois tem a já clássica Sem contenção, da sensacional Bebel Gilberto, depois tem Cosa nostra, com Erlon Chaves, remixada pelo Raw Deal, depois tem Treasure, também com Zuco 103 e no final tem Os orixás, com o maravilhoso Trio Mocotó.

Mas o maior fenômeno da Bossa Nova, que foi lançado em 2002, foi o disco CHILL:BRAZIL, lançado pela gravadora Warner Music, com as músicas do disco produzidas e escolhidas pelo Marcos Valle. Esse disco acabou se tornando o maior sucesso de discos vendidos pela essa nova Bossa Nova, ultrapassando a marca de 700 mil discos em todo o mundo. O cd é um disco duplo onde tem várias versões de música brasileira com um toque de lounge music. As músicas desse disco são:

Cd 1- Guanabara, música inédita do Marcos Valle, Mas que nada, com Milton Nascimento, Vôo sobre o horizonte, com Azimuth, A paz, com Gilberto Gil, Wave, com João Gilberto, Água de Beber, com Tom Jobim, Samba da benção, com Bebel Gilberto, Pode parar, com Jorge Vercilio, Menino do Rio, com Baby Consuelo, Ando meio desligado, com Ney Matogrosso, Mistério da raça, com Luis Melodia, All star, com Nando Reis, Menina bonita, com Pedro Luis e a parede, Pescador de ilusões, com O Rappa, À vontade, com Ed Motta, Maria fumaça, com Banda Black Rio e Sambassim, com Fernanda Porto.

Cd 2 - Garota de Ipanema, com Tom Jobim, Tim tim por tim tim, com João Gilberto, Tarde em Itapuã, com Os cariocas, Tanto tempo, com Bebel Gilberto, Eu vim da Bahia, com Gilberto Gil, Alô alô marciano, com Elis Regina, Linha do horizonte, com Azimuth, Only a dream in Rio, com Milton Nascimento, Abri a porta, com A cor do som, Alice, com Kid Abelha, Momentos que marcam, com Sandra de Sá, Um jantar para dois, com Ed Motta, Bumbo da Mangueira, com Jorge Ben Jor, My funk samba, Santo Antônio, as duas com Banda Black Rio, Por você, com Barão vermelho e Só tinha de ser com você, com Fernanda Porto, Dj Patife e Dj Marky.

Também em 2002, sai o sensacional disco MANAGARROBA, do mestre João Donato. O cd tem várias participações especialíssimas. As músicas do cd são: Não tem nome, que mistura vários sucessos de João Donato, com um toque eletrônico, Flor do mato, a sensacional Balança, um samba-rap com toque latino, do João Donato numa parceria do rapper Marcelo D2, com vocais do próprio que é sem dúvida, a melhor faixa do disco, a também latina E muito mais, a também belíssima E vamos lá, parceria com a Joyce, com participação da própria, Caminho do sol, Falta de ar, Nunca mais, com a participação dos Tribalistas: Marisa Monte e Arnaldo Antunes, a maravilhosa Muito à vontade, a também sensacional Não sei como foi, com participação do João Bosco, Luz de bolero e o surpreendente rock psicodélico de Managarroba, com a participação de Davi Moraes nas guitarras elétricas. Sem dúvida esse é o melhor disco do João Donato desde LUGAR COMUM, de 1975.

Em 2002, também saem alguns discos maravilhosos pela Trama. Um deles é SAMBALAND CLUB, o segundo disco de Wilson Simoninha. As músicas desse cd são: Seja bem vindo, com a participação do Seu Jorge, Mais um vira lata, Rei de maio, a sensacional Mais um lamento, Essência, Saudade machuca, com Jair Oliveira, um show de samba-jazz no medley Ela é carioca/Samba do carioca, com a participação do Jongo Trio, Barbarella 2001, Tudo bonito, Quem sou, com o coral gospel Just Sing Soir, depois tem a Vinheta, do pai de Simoninha, Wilson Simonal, dedicando a música ao seu filho, seguindo da espetacular Tributo a Martin Luther King, também com o coral Just Sing Choir, sendo esse sem dúvida o momento mais emocionante do disco, depois tem uma versão instrumental de Seja bem vindo e no final, uma Entrevista com Miele, sendo uma faixa bônus.

Também em 2002, sai pela Trama o sensacional disco ORCHESTRA KLAXON, o segundo disco de Max de Castro. As músicas do disco são: O futuro pertence a jovem vanguarda, o espetacular funk de A história da morena nua que abalou a estrutura e o esplendor do Carnaval, que é a melhor faixa do disco, em parceria surpreendente com Erasmo Carlos, depois tem a bela A vida como ela quer, com participação de Daniel Jobim, depois tem o samba-jazz moderno de Mais uma vez um amor, depois tem o samba-rock de O nego do cabelo bom, com participação da Paula Lima e do inventor do samba-jazz J.T. Meirelles, Marcha Roxa, a sensacional Os óculos escuros de Cartola, cantando ao lado da Patrícia Marx, Petit comitê na casa da tia Ciata, a bossa moderna de Sonho de Verão, parceria com Nelson Motta, Acapulco daqui a pouco, Linha do tempo e a também sensacional Calaram a voz do nosso amor.

Também em 2002, sai finalmente o primeiro disco da Fernanda Porto, que tem o nome de FERNANDA PORTO, que só podia ser lançado pela Trama. Todas as faixas são da Fernanda, menos uma. As músicas do disco são: a bela De costas para o mundo, a sensacional Eletricidade, o maracatu com drum'n'bass Baque virado, a também bela música Amor errado, a espetacular Tudo de bom, a também sensacional música Vilarejo íntimo, a versão inaugural da também espetacular Sambassim, Outro lugar do mundo, uma homenagem à cidade de São Paulo, Tanta besteira, a clássica Só tinha de ser com você, Jeito novo, Tempo para tudo, que foi tirada da Bíblia e 1999, escrita em latim (!). Sem dúvida esse é um dos melhores discos que surgiram no mundo nos últimos anos e a Fernanda Porto mostrou que veio para ficar e já está fazendo um grande sucesso, inclusive no Brasil com sua drum'n'bossa.